Diretor-geral da ANM indiciado por exploração ilegal de minério

Diretor-geral da ANM indiciado em esquema de exploração ilegal de minério em Minas Gerais

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A Polícia Federal (PF) indiciou Mauro Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), por suspeita de envolvimento em uma associação criminosa dedicada à exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. A investigação aponta que Sousa teria utilizado sua posição pública para beneficiar interesses privados da empresa Empabra Green Metals, que é investigada por lavra irregular, usurpação mineral e infrações ambientais.

Procurado pela reportagem, Mauro Sousa declarou que se pronunciará sobre o caso após ter acesso integral ao relatório, o que, segundo ele, ainda não ocorreu. Sousa está na liderança da ANM desde 2022.

Investigação aponta para exploração ilegal e captura institucional

O esquema investigado pela PF utilizava planos de recuperação ambiental e de fechamento de mina como fachada para ocultar a exploração ilegal de recursos minerais, especialmente na Mina Granja Corumi, localizada em Belo Horizonte. A PF descreve a situação como uma “transformação de um dever de recuperação ambiental em atividade minerária profissional, economicamente orientada, com divisão de tarefas e mecanismos de captura institucional”.

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As anotações apreendidas pelos investigadores indicam que os envolvidos buscavam obter um lucro estimado em até R$ 2,3 bilhões com a “monetização do minério”, ou seja, a extração ilegal de recursos da Serra do Curral. A PF ressalta que “as alegações de recuperação ambiental foram utilizadas como suporte formal para viabilizar extração, beneficiamento, logística e comercialização de minério em desconformidade com os limites jurídicos”.

Conexão direta entre diretor da ANM e empresa investigada

O relatório da PF detalha uma relação “próxima, frequente e informal” entre Mauro Sousa e representantes da Empabra Green Metals. Evidências, como mensagens interceptadas e registros de 61 telefonemas entre 2023 e 2025, sugerem uma atuação incompatível com a impessoalidade esperada de um dirigente máximo de agência reguladora. As conversas indicam tratativas pessoais e acompanhamento privilegiado de temas internos da ANM.

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As provas reunidas pela PF apontam que Sousa teria adiantado informações internas da agência aos empresários, encaminhado suas demandas à área técnica, oferecido considerações prévias sobre minutas da empresa e atuado como um facilitador para o grupo junto à ANM. Por esses fatos, Mauro Sousa também responderá por advocacia administrativa e tráfico de influência.

Outros indiciados e suas supostas participações

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Além do diretor-geral, outras 50 pessoas foram indiciadas em dois inquéritos que tramitam na superintendência da PF em Minas Gerais, no âmbito das operações Rejeito e Parcours. Entre os indiciados estão:

  • Caio Trivelatto: Outro diretor da ANM, que segundo a PF, atuava para atender interesses de empresários investigados, influenciando atos normativos e decisórios em favor de mineradores. Trivelatto afirmou em nota que sofre perseguição política e que não há indícios de corrupção ou recebimento de valores por sua parte.
  • Pablo César de Sousa: Ex-assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Em nota, declarou que não comentaria o mérito do caso, mas que sempre pautou sua atuação pública e profissional pela ética.
  • Lucas Kallas: Empresário de mineração, que já foi parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e principal investidor do esquema. A defesa de Kallas afirma ter confiança na demonstração de inocência do empresário, declarando que ele não tem relação com a empresa investigada desde 2017 e que, antes disso, foi apenas investidor.

A atuação de Lucas Kallas e as acusações

Lucas Kallas foi indiciado sob acusação de ter minerado ilegalmente na Serra do Curral entre 2014 e 2018. A PF aponta que ele teria gerenciado a mina nesse período e corrompido servidores públicos. As acusações contra ele incluem lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência. O relatório menciona que o empresário teria pago o sócio-torcedor de um funcionário da ANM como propina.

Impacto e desdobramentos da investigação

A investigação sobre a exploração ilegal de minério na Serra do Curral revela um complexo esquema que envolve agentes públicos e empresários do setor. A atuação da PF visa desarticular essa rede criminosa e responsabilizar os envolvidos pelos crimes ambientais e financeiros cometidos. O caso levanta sérias preocupações sobre a fiscalização e a integridade dos órgãos reguladores do setor mineral no Brasil.

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Palavras-chave secundárias: exploração ilegal de minério, Serra do Curral, esquema criminoso, Agência Nacional de Mineração.

O que acontece agora?

Com o indiciamento de Mauro Sousa e outras 50 pessoas, o caso segue em andamento. Os inquéritos serão encaminhados ao Ministério Público Federal, que decidirá se oferece denúncia à Justiça. Os indiciados podem responder por diversos crimes, incluindo associação criminosa, usurpação mineral, infrações ambientais, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência. A expectativa é que as investigações continuem aprofundando para desvendar todas as ramificações do esquema.

Resumo da seção: O indiciamento do diretor-geral da ANM e de outras 50 pessoas em um esquema de exploração ilegal de minério na Serra do Curral demonstra a gravidade da situação e a atuação das autoridades para combater crimes ambientais e financeiros no setor mineral.

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