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Minas em Hormuz: navegação limitada por meses, alerta CEO

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A presença de minas navais no estratégico Estreito de Hormuz pode restringir a navegação a menos da metade dos níveis pré-conflito por meses, mesmo que um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã seja mantido. A avaliação é de Takaya Soga, diretor executivo da gigante japonesa NYK Line, que opera uma frota com mais de 900 navios. Segundo Soga, a retomada do tráfego marítimo ocorrerá em volumes significativamente menores devido às limitações de capacidade nas rotas mais seguras que circundam o Irã e Omã.

“As rotas disponíveis para navegação são extremamente limitadas — são corredores muito estreitos”, afirmou Soga ao Financial Times. “Ainda estamos longe de retornar às condições anteriores ao fechamento do Estreito de Hormuz.”

Presença de minas e rotas restritas no Estreito de Hormuz

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, informou na sexta-feira (26) que o Irã teria dispersado aproximadamente 80 minas nas principais vias de navegação da hidrovia. O Paquistão, por sua vez, confirmou no início deste mês a detecção de uma mina na região.

A preocupação com esses artefatos explosivos restringe a navegação a apenas duas rotas mais estreitas: uma próxima à ilha de Larak, na costa iraniana, e outra adjacente a Omã, ao sul. A natureza exata das minas implantadas pelo Irã permanece incerta. Se a maioria for do tipo de fundo, a localização e neutralização se tornam consideravelmente mais complexas do que as minas de contato mais rudimentares.

A detonação de uma mina pode causar danos graves a uma embarcação. Esses dispositivos, que geralmente explodem sob o casco de um navio ao passar sobre eles, criam uma bolha de colapso que afeta a flutuabilidade. As minas modernas são equipadas com sensores magnéticos, acústicos e de pressão subaquática, o que torna o contato direto menos provável, mas não menos perigoso.

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Acordo de paz e desafios na remoção de minas

Um acordo de paz entre os EUA e o Irã, assinado em 17 de junho, estipula que ambos os lados garantirão o retorno do tráfego pelo estreito ao seu “volume pré-guerra” em até 30 dias, após a conclusão da “neutralização” de todas as minas pelo Irã. Uma linha direta de comunicação também foi estabelecida para coordenar os esforços de remoção.

A Guarda Revolucionária do Irã declarou na quinta-feira (25) que a coordenação com a força naval iraniana é “obrigatória” para as embarcações que transitam pelo Estreito de Hormuz, alertando contra o uso de rotas não autorizadas. Este aviso seguiu um ataque a um navio porta-contêineres da empresa taiwanesa Evergreen, que havia passado pela hidrovia na quinta-feira, testando o acordo de paz provisório. Em resposta, os EUA anunciaram ataques contra o Irã no sábado (27).

No mesmo sábado, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido relatou que o comandante de um navio-tanque no estreito informou ter sido atingido por um “projétil não identificado” que danificou a ponte, mas sem ferir tripulantes.

Perspectivas de recuperação e impacto econômico

A previsão de Soga para a recuperação dos níveis de transporte marítimo não se baseia em evidências concretas, mas sim em uma estimativa cautelosa: “Estamos falando de menos da metade do volume normal por um tempo, mesmo que consigamos entrar e sair do país normalmente”.

Michael Aldwell, vice-presidente executivo de logística marítima da Kuehne+Nagel, uma das maiores empresas de agenciamento de cargas do mundo, confirmou ao Financial Times que ainda existem “grandes transtornos” na região. “Ainda é muito recente para que todos no setor [de transporte marítimo] tomem decisões definitivas sobre o que vai acontecer e quando vai acontecer”, disse Aldwell sobre o retorno da navegação pelo estreito.

No entanto, ele estima uma “alta probabilidade de 90%” de que o estreito volte a ser uma “rota de funcionamento normal” assim que for reaberto, pois o transporte de mercadorias por caminhão para a região é “absolutamente insustentável”.

Empresas como a japonesa NYK, a chinesa Cosco e a italiana Grimaldi já iniciaram o trânsito de seus navios pelo estreito após a entrada em vigor do acordo de paz. Contudo, a seguradora Allianz estima que o fechamento do estreito, por onde transitavam cerca de 135 navios por dia, correspondendo a aproximadamente um quinto das exportações globais de energia, deixou mais de 1.200 navios cargueiros retidos, com mercadorias avaliadas em cerca de US$ 125 bilhões (R$ 646 bilhões). A Allianz alertou que o fechamento “sem precedentes” levanta “preocupações sobre o futuro do comércio marítimo global”.

O impacto nos mercados mundiais de petróleo e gás foi significativo. A perspectiva de um acordo entre EUA e Irã contribuiu para a queda do preço do petróleo Brent. Outras empresas de transporte marítimo, como a Mitsui OSK Lines, alertaram que o setor precisa constatar a “substancialidade” do acordo de paz para recuperar a confiança.

Incertezas e a importância da comunicação diplomática

Soga destacou a necessidade de o setor de logística ter certeza de que o acordo EUA-Irã garantirá a segurança do transporte marítimo comercial na região e que outros atores não tomarão medidas que impeçam a desescalada. Uma preocupação levantada por Soga é a possibilidade de Israel continuar operações contra o Hezbollah no Líbano, o que poderia levar o Irã a argumentar que os termos do acordo estão sendo violados, avançando para um novo cerco.

O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, ressaltou que a linha direta de comunicação acordada será fundamental para a coordenação entre as partes durante o complexo processo de remoção das minas, um passo crucial para a normalização da navegação no Estreito de Hormuz.

Resumo da Seção: A presença de minas no Estreito de Hormuz, mesmo após um acordo de paz entre EUA e Irã, continuará a impactar a navegação por meses. Rotas restritas, a natureza incerta das minas e a necessidade de coordenação diplomática para a remoção são os principais desafios. O impacto econômico global é substancial, com milhares de navios retidos e bilhões em mercadorias afetadas.

O futuro da navegação no Estreito de Hormuz

A situação no Estreito de Hormuz é um lembrete da fragilidade das rotas marítimas globais e de como tensões geopolíticas podem ter repercussões econômicas de longo alcance. A confiança no reestabelecimento do fluxo normal de comércio depende não apenas da remoção física das minas, mas também da estabilidade política e da comunicação eficaz entre as nações envolvidas.

A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, na esperança de que a diplomacia prevaleça e que as rotas vitais para o comércio global sejam reabertas em sua plena capacidade, minimizando os riscos para a economia mundial.

Palavras-chave secundárias: navegação em Hormuz, minas navais, segurança marítima, geopolítica do petróleo.

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