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PIB: RS e RJ lideram lentidão e enfrentam desafios com população idosa

PIB: RS e RJ lideram lentidão e enfrentam desafios com população idosa

O Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro emergiram como as unidades federativas com os desempenhos mais modestos no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na média anual entre 2002 e 2023. Essa desaceleração econômica, confirmada por dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é acompanhada por um fator demográfico comum: ambos os estados possuem as populações mais envelhecidas do país. Essa combinação de fatores levanta preocupações significativas sobre os desafios que precisarão ser superados para garantir o crescimento econômico nas próximas décadas.

A longevidade crescente da população, embora um marco civilizatório, impõe demandas e pressões sobre a estrutura econômica e social. Especialistas apontam que, com um contingente maior de idosos, estados como o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro necessitarão de estratégias robustas para aumentar a produtividade da força de trabalho mais jovem e, simultaneamente, integrar de forma mais eficaz os cidadãos com 60 anos ou mais no mercado de trabalho. Essas ações, contudo, dependem intrinsecamente de avanços em áreas cruciais como educação e qualificação profissional, setores que historicamente apresentam gargalos no Brasil.

“Com menos gente trabalhando, é preciso aumentar a produtividade média para compensar as saídas”, explica Lucas Schifino, diretor-executivo do Ifep-RS (Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa). “Outro desafio é tentar minimizar essa saída de pessoas do mercado.” Schifino ressalta que a retenção de trabalhadores mais velhos exige uma combinação de esforços: adaptação de postos de trabalho e combate ao preconceito por parte do setor privado, e melhorias na mobilidade urbana e acessibilidade por parte do setor público. A infraestrutura das cidades, por exemplo, pode ser um fator limitante para a participação dos idosos na vida ativa.

Desempenho econômico abaixo da média nacional

No período de 2002 a 2023, o PIB do Rio Grande do Sul apresentou um crescimento médio anual de 1,4%, enquanto o Rio de Janeiro registrou 1,6% ao ano. Ambos os índices ficaram aquém da média nacional, que foi de 2,2% ao ano. A Bahia, com 1,9% ao ano, foi o único outro estado com crescimento inferior a 2% no período.

Luiz Antonio de Sá, analista de Contas Regionais do IBGE, atribui parte desse desempenho inferior à retração da indústria de transformação em ambos os estados. No Rio Grande do Sul, todas as 12 atividades econômicas analisadas apresentaram variação média inferior à nacional. Já no Rio de Janeiro, 11 das 12 atividades seguiram o mesmo padrão, com a exceção notável da indústria extrativa, impulsionada pelo setor de petróleo, que é um motor importante da economia fluminense.

Marcelo Neri, diretor do centro de estudos FGV Social, destaca que a dependência de commodities, como o petróleo no Rio de Janeiro, representa um desafio de longo prazo, pois são recursos finitos. Por outro lado, o Rio Grande do Sul tem enfrentado os impactos de eventos climáticos adversos, como secas e inundações, que afetam diretamente sua produção.

“Os dois estados têm em comum uma proporção grande de idosos, mas o Rio Grande do Sul fez a sua reforma de ajuste previdenciário”, observa Neri, contrastando com os problemas enfrentados pelo Rioprevidência no Rio de Janeiro, que envolvem investigações sobre má gestão de fundos de aposentadoria.

Crescimento Médio Anual do PIB (2002-2023)
Unidade da Federação Crescimento Médio Anual (%)
Brasil 2,2
Rio Grande do Sul 1,4
Rio de Janeiro 1,6
Bahia 1,9

O impacto do envelhecimento populacional nas projeções futuras

As projeções populacionais do IBGE revelam um cenário de envelhecimento acelerado em todo o Brasil, com o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro liderando essa tendência. Em 2000, pessoas com 60 anos ou mais representavam cerca de 10,6% da população em ambos os estados. Em 2023, essa proporção quase dobrou, atingindo 20% no Rio Grande do Sul e 18,4% no Rio de Janeiro. As estimativas indicam que, em 2026, esses percentuais devem chegar a 21,8% e 19,9%, respectivamente, consolidando-os como os estados com a população mais idosa do país.

A projeção para 2070 é ainda mais expressiva, com idosos representando 39,1% da população gaúcha e 38,8% da fluminense. Embora o Distrito Federal deva apresentar a maior proporção nesse ano (40,4%), o cenário de envelhecimento em RS e RJ é marcante.

“O desafio é como utilizar as pessoas de 60 anos ou mais na matriz produtiva, mas é difícil imaginar que inserir essa população seja uma carta na manga para reativar a dinâmica econômica”, pondera Ely José de Mattos, professor da Escola de Negócios da PUCRS. Ele enfatiza que o crescimento da produtividade, especialmente entre os trabalhadores mais jovens, é fundamental. No entanto, Mattos aponta para a “economia prateada” – produtos e serviços voltados para a população mais velha – como um nicho de mercado em ascensão e com grande potencial de crescimento, ainda que mal atendido.

Mauro Osorio, professor da UFRJ, alerta que o baixo dinamismo do PIB impacta diretamente a capacidade de geração de receitas estaduais e municipais, comprometendo políticas públicas para todos os grupos etários, incluindo os idosos. A dificuldade em gerar empregos e a renda familiar mais restrita agravam o quadro, tornando mais difícil o cuidado com os idosos e gerando um ambiente social mais hostil.

Osorio sugere que o Rio de Janeiro precisa superar sua “crise institucional”, marcada por escândalos políticos, para destravar o desempenho econômico e a geração de oportunidades. Ele defende que as soluções para o envelhecimento populacional vão além da manutenção dos idosos no mercado de trabalho, abrangendo a garantia de condições dignas para aqueles que não podem mais trabalhar.

Iniciativas governamentais em resposta aos desafios

Em resposta a esses desafios demográficos e econômicos, tanto o Rio Grande do Sul quanto o Rio de Janeiro têm implementado políticas públicas voltadas para a população idosa e para o fomento do desenvolvimento econômico.

Iniciativas no Rio de Janeiro

O Governo do Rio de Janeiro, sob gestão interina, afirma estar estruturando “políticas públicas integradas” para lidar com a transição demográfica. Entre as ações destacadas estão a rede de atendimento de saúde especializada e o Plano Estadual de Saúde da Pessoa Idosa, com metas estabelecidas até 2031. O projeto “Empregabilidade 60+” visa combater o etarismo e ampliar oportunidades de trabalho para idosos. Além disso, o estado participa da rede de parceiros da Escola do Trabalhador 4.0, iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego que oferece cursos gratuitos de inclusão produtiva.

Iniciativas no Rio Grande do Sul

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul concentra suas estratégias em ações de longo prazo focadas no aumento da produtividade, inovação, qualificação profissional, atração de investimentos e sustentabilidade fiscal. A principal prioridade econômica, diante do avanço do envelhecimento populacional, é justamente ampliar a produtividade para compensar a redução relativa da população em idade ativa.

O governo gaúcho reconhece que o envelhecimento traz desafios, mas também oportunidades. O crescimento da “economia prateada” impulsiona a demanda por serviços especializados nas áreas de saúde e cuidados. Iniciativas como o “Saúde 60+ RS”, que amplia o atendimento ambulatorial especializado para idosos vulneráveis, e os Centros Dia para Pessoas Idosas, voltados ao atendimento diurno e ao fortalecimento da rede de proteção, são exemplos de ações em curso. Embora com finalidade social e assistencial, essas iniciativas buscam preservar a funcionalidade dos idosos, oferecer suporte às famílias e permitir que cuidadores e familiares permaneçam no mercado de trabalho.

Em suma, o cenário de baixo crescimento do PIB em conjunto com um rápido envelhecimento populacional apresenta um complexo desafio para o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. A superação dessas dificuldades exigirá políticas públicas inovadoras, investimentos em qualificação e produtividade, além de uma adaptação estrutural da economia e da sociedade para acolher e integrar uma população cada vez mais longeva.

  • Desaceleração econômica: RS e RJ apresentam os menores crescimentos do PIB nacional (2002-2023).
  • Envelhecimento populacional: Ambos os estados lideram o ranking de população idosa no Brasil.
  • Desafios econômicos: Necessidade de aumentar produtividade e integrar idosos no mercado de trabalho.
  • Causas do baixo PIB: Retração da indústria de transformação e dependência de commodities (RJ) e problemas climáticos (RS).
  • Projeções futuras: Aumento contínuo da proporção de idosos nas próximas décadas.
  • Economia prateada: Potencial de mercado para produtos e serviços voltados ao público idoso.
  • Políticas públicas: Iniciativas em saúde, empregabilidade e qualificação profissional em ambos os estados.

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