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Luiza Trajano pede cota de 50% para mulheres em liderança

Luiza Trajano defende cota de 50% para mulheres em cargos de liderança

A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, apresentou uma proposta contundente nesta terça-feira (4): a criação de uma lei que estabeleça uma cota de 50% para mulheres em cargos de liderança nas empresas. O pedido foi direcionado ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante o Summit Mulheres nas Profissões, evento organizado pelo grupo Mulheres do Brasil, liderado pela própria Trajano.

“Eu queria que você comprasse essa briga conosco, criando lei para isso”, declarou a empresária ao ministro, marcando o início de uma campanha significativa pela igualdade de gênero no alto escalão corporativo. O evento contou com a presença de personalidades notáveis, como a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, e a ex-BBB e advogada Juliette Freire, que foram calorosamente recebidas pela plateia.

Durante o painel “No sofá com Luiza: decisões que movem o Brasil”, Trajano, ao lado de Tarciana Medeiros (presidente do Banco do Brasil), Márcia Lopes (ministra das Mulheres) e Pedro Teixeira (ministro da Micro e Pequena Empresa), argumentou que a presença feminina em posições de comando não deve depender apenas da iniciativa privada, mas sim ser assegurada por políticas públicas concretas. Ela destacou que, caso o ministério envie o projeto de lei, o Grupo Mulheres do Brasil se compromete a mobilizar o Congresso Nacional para sua aprovação.

A empresária ressaltou a importância do trabalho como ferramenta de empoderamento feminino, capaz de libertar mulheres da violência doméstica e da miséria. “O trabalho dá dignidade, tira a pessoa da miséria. O trabalho é muito importante, é o que mais tira a mulher da violência”, afirmou, emocionada. Trajano compartilhou que iniciou suas campanhas de conscientização e combate à violência após a morte de uma funcionária, há dez anos.

Em sua empresa, a política de tolerância zero ao assédio é uma realidade. “Assédio tem nome. Quem pratica é demitido por justa causa”, declarou, reforçando que as denúncias são tratadas com a máxima seriedade.

Ao defender a maior participação feminina na liderança, Luiza Trajano enfatizou que a sociedade como um todo se beneficia. “Nós não queremos estar contra os homens. Queremos estar junto com eles.” Ela observou que mulheres em cargos de alta gestão tendem a criar oportunidades para que outras mulheres também ascendam profissionalmente. A criação de uma lei, segundo ela, garante que essa mudança seja permanente e não dependa de vontades individuais.

A importância da política pública para a igualdade de gênero

A proposta de Luiza Trajano visa institucionalizar a igualdade de gênero no ambiente corporativo, superando a dependência de iniciativas voluntárias das empresas. A ideia é que, com uma lei sancionada, a presença de mulheres em cargos de liderança se torne uma norma, impulsionada por políticas públicas que garantam a equidade.

O Grupo Mulheres do Brasil se posicionou como um forte aliado nessa causa, prometendo engajar o Congresso Nacional e pressionar pela aprovação da matéria. A expectativa é que o ministro Luiz Marinho acolha o pedido e inicie o processo legislativo, pautando o tema no governo e no parlamento.

Críticas às regras de crédito para pequenas empresas

Durante o mesmo evento, Luiza Trajano também direcionou críticas ao sistema de credit score, que, segundo ela, impõe barreiras injustas a pequenos empresários na obtenção de financiamentos. “A pessoa precisa ter casa própria, precisa ter renda. Quem está empreendendo normalmente não tem esse patrimônio. Precisamos rever esse modelo para pequenas e médias empresas”, argumentou, classificando a regra como ultrapassada.

Em concordância com a necessidade de descentralizar o crédito, Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, apresentou dados sobre o compromisso da instituição com o empreendedorismo feminino. Medeiros informou que 47% dos 1,3 milhão de clientes de pequenas empresas do BB são liderados por mulheres. Nos últimos três anos, o banco liberou R$ 110 bilhões em crédito para empresas comandadas por mulheres, com um volume de financiamentos oito vezes superior à média histórica em linhas voltadas ao empreendedorismo feminino.

A executiva também revelou que o Banco do Brasil está revisando seus critérios de análise de crédito para PMEs, especialmente para aquelas lideradas por mulheres, um avanço que surgiu a partir de discussões com Luiza Trajano.

Cármen Lúcia defende trabalho digno e igualdade

A ministra Cármen Lúcia, do STF, também marcou presença no evento, sendo recebida com grande entusiasmo pela plateia. Ela reiterou a importância do trabalho como “instrumento de dignidade” e fez um apelo pela união das mulheres contra a violência de gênero. Em sua fala, Lúcia compartilhou reflexões pessoais sobre a desigualdade e a violência enfrentadas por mulheres.

“Trabalho é valor, é o que nos faz estar no mundo com o outro”, disse a ministra, que também destacou a força política feminina, lembrando que as mulheres representam quase 53% do eleitorado brasileiro e têm o poder de influenciar resultados eleitorais significativos.

Cármen Lúcia criticou a “fraude” dos partidos políticos em relação à cota de 30% para mulheres em eleições, ressaltando que a igualdade plena só será alcançada quando todas as esferas de poder forem ocupadas por mulheres. Diante de dados alarmantes de feminicídio, ela clamou por uma reação coletiva: “Parem de nos matar porque nós resolvemos que vamos parar de morrer”.

A ministra também abordou a desigualdade de gênero desde a infância, questionando os padrões impostos às mulheres, como o desconforto dos sapatos femininos em comparação aos masculinos, simbolizando as diferentes “caminhos da vida” trilhados por homens e mulheres. Ela concluiu sua participação defendendo que o preconceito é aprendido e, portanto, pode ser combatido através de uma educação baseada na igualdade.

O futuro da liderança feminina no Brasil

A proposta de Luiza Trajano e as falas de Cármen Lúcia e Tarciana Medeiros ecoam um movimento crescente pela igualdade de gênero no Brasil. A cota de 50% em cargos de liderança, se aprovada, representaria um marco histórico, acelerando a inclusão feminina em posições estratégicas e impulsionando o desenvolvimento econômico e social do país. A discussão sobre o acesso ao crédito para pequenas empresas, especialmente as lideradas por mulheres, também se mostra crucial para fomentar um ambiente de negócios mais equitativo.

A luta por igualdade é multifacetada, abrangendo desde a representatividade no mercado de trabalho até o combate à violência de gênero e a revisão de políticas de crédito. A união de esforços entre o setor privado, o governo e a sociedade civil é fundamental para construir um futuro onde homens e mulheres compartilhem oportunidades e responsabilidades em igualdade de condições.

Palavras-chave secundárias: igualdade de gênero no trabalho, cota feminina em liderança, empreendedorismo feminino.

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