Desemprego no 2º trimestre: entenda a variação de 2,1% em SC a 9,8% no AP e o cenário nacional
A taxa de desemprego no Brasil apresentou uma dinâmica heterogênea entre as unidades da federação no segundo trimestre de 2026, com variações significativas que vão de 2,1% em Santa Catarina a 9,8% no Amapá. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (14), revelam que o indicador nacional atingiu 5,4% no período de abril a junho, o menor patamar para este intervalo na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. Embora o cenário geral aponte para uma melhora, as disparidades regionais e a análise detalhada do mercado de trabalho oferecem um panorama mais complexo.
Análise estadual do desemprego no Brasil
O IBGE detalhou que o desemprego apresentou quedas estatisticamente significativas em 13 estados na transição do primeiro para o segundo trimestre. Destaque para o Rio Grande do Norte (-1,9 p.p.), Paraíba (-1,6 p.p.) e Acre (-1,6 p.p.). Em contrapartida, o indicador permaneceu estável nas outras 14 unidades da federação, dentro da margem de erro da pesquisa.
As maiores taxas de desocupação concentram-se no Amapá (9,8%), Bahia (9,1%), Pernambuco (8,3%) e Piauí (8,3%), sendo os únicos a ultrapassar os 8%. Em contraste, Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%) e Espírito Santo (2,3%) registraram os menores percentuais de desemprego.
William Kratochwill, analista do IBGE, explica que as disparidades regionais podem ser atribuídas a fatores como níveis de atividade econômica, grau de industrialização e escolaridade da população. Essas diferenças se mantêm ao longo da série histórica, refletindo as particularidades de cada estado.
O que define o desemprego segundo o IBGE?
A Pnad Contínua abrange tanto o mercado de trabalho formal (com carteira assinada ou CNPJ) quanto o informal. Para ser classificada como desempregada, uma pessoa com 14 anos ou mais deve estar ativamente procurando por oportunidades de trabalho. A simples ausência de emprego não configura o estado de desocupação.
Desemprego de longa duração em queda
No segundo trimestre de 2026, o número de desempregados no Brasil foi estimado em 5,9 milhões. Uma notícia positiva é a redução do desemprego de longa duração: cerca de 1,1 milhão de pessoas (18% do total de desocupados) buscavam trabalho há dois anos ou mais, o menor registro na série histórica. Kratochwill ressalta que isso indica uma maior circulação de mão de obra e um tempo médio menor para encontrar uma nova ocupação.
Regiões: Sul e Centro-Oeste se destacam
Em termos regionais, o Sul (3,2%), o Centro-Oeste (3,8%) e o Sudeste (5,2%) apresentaram as menores taxas de desocupação, todas inferiores à média nacional. O Nordeste (7,6%) e o Norte (6,1%) registraram os maiores índices.
Observa-se uma aproximação entre as taxas do Centro-Oeste e do Sul, que historicamente mantém a menor taxa do país. A diferença entre elas diminuiu para 0,6 ponto percentual no segundo trimestre de 2026, comparado a 1 p.p. um ano antes e 1,9 p.p. no início da série histórica. O analista do IBGE atribui essa convergência à evolução tecnológica e mecanização do agronegócio no Centro-Oeste, que, embora reduza a necessidade de mão de obra direta, gera renda que pode impulsionar contratações em outros setores.
Renda média do trabalho estagna
Apesar da força do mercado de trabalho, economistas apontam sinais de desaceleração, especialmente no comportamento da renda média. Após um período de alta, o rendimento do trabalho no Brasil ficou praticamente estável em R$ 3.738 mensais no segundo trimestre. Apenas o Acre registrou um aumento significativo (9%), alcançando R$ 3.149. No Distrito Federal, houve uma queda de 9,5%, para R$ 6.171, enquanto nos demais estados a renda permaneceu estável.
Taxa de informalidade: 4 estados acima de 50%
A informalidade no mercado de trabalho também apresenta disparidades regionais. Maranhão (56,9%), Pará (55,9%), Amazonas (51,7%) e Bahia (50,7%) lideram com mais de 50% de trabalhadores ocupados sem carteira assinada ou CNPJ. Em contraste, Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,7%) e Mato Grosso do Sul (29,2%) apresentaram os menores índices. Nacionalmente, a taxa de informalidade foi de 37,4%.
Fatores que influenciam o baixo desemprego no Brasil
Analistas atribuem o atual baixo nível de desemprego a uma combinação de fatores, incluindo o desempenho positivo da atividade econômica nos últimos anos e mudanças demográficas. O envelhecimento da população, com uma parcela de brasileiros saindo do mercado de trabalho, reduz a pressão sobre a taxa de desocupação, embora crie desafios para o sistema previdenciário.
Adicionalmente, o mercado de trabalho continua a ser influenciado pela demanda por vagas em tecnologia. Um estudo da FGV Ibre estimou que o trabalho em aplicativos contribuiu para reduzir o desemprego em 1 ponto percentual no ano anterior.
Palavras-chave secundárias: taxa de desemprego por estado, mercado de trabalho brasileiro, desemprego de longa duração, renda média do trabalho.
Tabela: Ranking de Desemprego por Estado (2º Trimestre de 2026)
| Estado | Taxa de Desemprego (%) |
|---|---|
| Amapá | 9,8 |
| Bahia | 9,1 |
| Pernambuco | 8,3 |
| Piauí | 8,3 |
| Santa Catarina | 2,1 |
| Mato Grosso | 2,2 |
| Espírito Santo | 2,3 |
| Brasil (Média) | 5,4 |
Conclusão: um mercado em transição
O cenário do desemprego no segundo trimestre de 2026 revela um mercado de trabalho brasileiro em transição. A redução geral da taxa de desocupação e do desemprego de longa duração são sinais positivos, impulsionados pela atividade econômica e mudanças demográficas. No entanto, as persistentes disparidades regionais, a estagnação da renda média e a alta informalidade em alguns estados demandam atenção contínua e políticas públicas direcionadas para garantir um desenvolvimento mais equitativo e sustentável em todo o território nacional.
