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BlackRock e JPMorgan veem ouro em mercados emergentes

BlackRock e JPMorgan apostam em mercados emergentes como refúgio de investimento

Em um cenário global de incertezas econômicas, onde os títulos públicos das principais economias enfrentam quedas acentuadas, gestoras renomadas como a BlackRock e o JPMorgan Asset Management estão encontrando oportunidades de investimento em mercados emergentes. Essa guinada estratégica é motivada por uma combinação de fatores, incluindo inflação mais controlada, políticas monetárias mais flexíveis e posições fiscais sólidas em diversas nações em desenvolvimento. Enquanto os títulos americanos e europeus registram perdas, os ativos de mercados emergentes demonstram resiliência e potencial de retorno, atraindo a atenção de investidores em busca de diversificação e renda.

Por que mercados emergentes se tornam atraentes?

A recente onda de vendas de títulos em mercados desenvolvidos, impulsionada pela inflação e preocupações fiscais que levantam a possibilidade de taxas de juros mais altas, criou um ambiente de volatilidade. Nesse contexto, os mercados emergentes emergem como uma alternativa atraente. Pierre-Yves Bareau, diretor de investimentos para dívida de mercados emergentes do JPMorgan Asset Management, destaca que essa conjuntura torna os mercados emergentes mais interessantes, pois eles funcionam como um diversificador de renda. De fato, os títulos de mercados emergentes em moeda local já acumulam um retorno superior a 3% neste ano, contrastando com a perda de 0,6% registrada pelos Treasuries americanos e títulos europeus equivalentes, segundo dados compilados pela Bloomberg. Elina Theodorakopoulou, gestora de portfólio de dívida de mercados emergentes da Manulife Investment Management, reforça essa visão, considerando a atual onda de vendas uma “oportunidade relativa para a dívida global de mercados emergentes”.

Inflação controlada e flexibilidade monetária impulsionam mercados emergentes

Um dos principais diferenciais dos mercados emergentes é a capacidade de seus bancos centrais de traçar caminhos independentes em suas políticas monetárias. Ao contrário de seus pares em economias desenvolvidas, as nações em desenvolvimento têm conseguido manter a inflação sob controle. Segundo o JPMorgan, a inflação média nas economias em desenvolvimento está em torno de 3,8%, aproximadamente um terço do pico observado em 2022. Essa estabilidade confere aos formuladores de política monetária uma margem de manobra cerca de 1 ponto percentual maior para absorver pressões inflacionárias em comparação com quatro anos atrás. Essa flexibilidade já se manifesta em ações distintas: enquanto Brasil, Turquia e Hungria reduziram os custos de empréstimos em agosto, Coreia do Sul e Filipinas apertaram suas políticas monetárias. O Banco Central Tcheco, por sua vez, manteve as taxas após um aperto em junho.

Estratégias de investimento em mercados emergentes

Diante desse cenário favorável, gestoras como a BlackRock e o JPMorgan Asset Management estão direcionando seus investimentos para mercados emergentes específicos. Chris Kushlis, principal estrategista macroeconômico para mercados emergentes da T. Rowe Price, observa que, com a inflação ainda controlada e o crescimento em muitas dessas economias próximo ou ligeiramente abaixo do potencial, as taxas de juros locais tendem a permanecer relativamente estáveis diante da volatilidade dos mercados desenvolvidos. Sua equipe, por exemplo, prefere títulos em moeda local de países como Brasil, Hungria, México e África do Sul.

Michel Aubenas, chefe de dívida de mercados emergentes da BlackRock, adota uma estratégia semelhante, focando em países onde antecipa que os bancos centrais surpreendam os investidores ao manter as taxas de juros inalteradas. A BlackRock, assim como o Societe Generale, mostra preferência pelo mercado tcheco, apostando que os formuladores de política monetária não sentirão a necessidade de elevar as taxas. Enquanto os preços de mercado precificam uma alta de 25 pontos-base até o fim do ano e 100 pontos-base até meados de 2027, o SocGen projeta que o banco central tcheco manterá as taxas em 3,75% no futuro previsível.

O estrategista do SocGen, Juan Orts, também aponta que as expectativas do mercado em relação a três altas de 25 pontos-base pelo Banco Nacional da Polônia podem estar exageradas. Pierre-Yves Bareau, do JPMorgan, concorda que o mercado tende a ser excessivamente agressivo em suas precificações. Ele argumenta que, mesmo que alguns bancos centrais precisem aumentar as taxas para combater a inflação, eles não repassarão integralmente o prêmio que o mercado está precificando.

Histórico e perspectivas para a dívida de mercados emergentes

A história oferece um encorajamento adicional para os investidores em dívida de mercados emergentes. Tradicionalmente, essa classe de ativos tende a apresentar bom desempenho durante ciclos de aperto monetário do Federal Reserve dos EUA, especialmente quando essas altas de juros são impulsionadas por um crescimento econômico mais forte, e não por pressões inflacionárias e estresse fiscal. Atualmente, espera-se que o crescimento das economias emergentes permaneça estável, próximo de 3,7% neste ano. Essa taxa de crescimento contribui para o fortalecimento das finanças públicas e impulsiona uma tendência positiva nas classificações de crédito de países como Argentina, Gana e Nigéria. Em contrapartida, governos de grandes economias desenvolvidas enfrentam pressões fiscais crescentes devido a gastos elevados, o que, por sua vez, eleva os rendimentos de seus títulos.

Tabela: Comparativo de Desempenho de Títulos (Ano Corrente)

Classe de Ativo Retorno Anualizado
Títulos de Mercados Emergentes (Moeda Local) +3%
Treasuries Americanos -0.6%
Títulos Europeus Equivalentes -0.6%

Thomas Christiansen, diretor de investimentos e chefe de dívida de mercados emergentes da Union Bancaire Privee, resume a situação: “A imprudência fiscal dos mercados desenvolvidos, de modo geral, torna os mercados emergentes mais interessantes”. Ele acredita que os movimentos recentes nos mercados de títulos de países desenvolvidos são, em certa medida, um reflexo dessa realidade. A combinação de inflação sob controle, políticas monetárias independentes e a busca por diversificação em meio à volatilidade global posiciona os mercados emergentes como um destino cada vez mais atraente para o capital de grandes gestoras como BlackRock e JPMorgan, oferecendo um porto seguro e potencial de rentabilidade em um cenário econômico complexo.

Resumo

Grandes gestoras de ativos, incluindo BlackRock e JPMorgan, estão redirecionando investimentos para mercados emergentes. Isso se deve à queda nos títulos de economias desenvolvidas, contrastando com a resiliência e retornos positivos de ativos em moedas locais de países em desenvolvimento. Fatores como inflação controlada (média de 3,8%), maior flexibilidade de política monetária e posições fiscais mais sólidas nesses países criam um ambiente propício. Estratégias focam em países com potencial de taxas de juros estáveis e crescimento econômico. A dívida de mercados emergentes historicamente se beneficia de ciclos de aperto monetário quando estes são impulsionados por crescimento, e não por inflação ou estresse fiscal. A imprudência fiscal em mercados desenvolvidos acentua o apelo dos mercados emergentes como alternativa de investimento.

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