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Advogado é “hub financeiro” de Weverton Rocha, diz PF

Advogado Willer Tomaz era “hub financeiro” de Weverton Rocha, aponta PF

Uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz foi responsável pela aquisição de uma mansão de R$ 6 milhões, que teria sido utilizada pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA). A informação, divulgada pela Polícia Federal (PF), detalha o papel de Tomaz como o “hub financeiro, patrimonial e logístico” do parlamentar. A investigação ocorre no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As investigações da PF também indicam que Samya Rocha, esposa do senador, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas associadas ao advogado. Esses achados foram compilados em uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma nova fase da operação nesta terça-feira (4). Os principais alvos da nova etapa são Tomaz e familiares do senador. Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.

Em nota divulgada por sua defesa, o advogado Willer Tomaz declarou que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido decorre exclusivamente por ser proprietário da aeronave utilizada pelo senador Weverton Rocha em uma viagem de caráter estritamente particular e de conhecimento público. Tomaz afirmou que a disponibilização da aeronave teve um caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. A defesa ainda ressaltou que Willer Tomaz “não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”. O senador Weverton Rocha foi procurado, mas ainda não se manifestou sobre o caso.

O papel de Willer Tomaz como “hub financeiro” de políticos

Willer Tomaz é conhecido em Brasília por manter relações com parlamentares de diversos espectros políticos. Sua proximidade com figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é notória, mas ele também interage com membros da base aliada ao governo Lula (PT). O advogado é sócio de Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça e advogado da última campanha presidencial de Lula. Além disso, Tomaz já atuou na defesa do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), em processos perante tribunais superiores.

Nos corredores políticos de Brasília, Tomaz é frequentemente associado à influência política e a um trânsito considerável entre ministros de tribunais superiores. Em 2021, ele foi um dos principais articuladores na tentativa de indicar o então procurador-geral da República, Augusto Aras, para uma vaga no STF durante o governo de Jair Bolsonaro. O plano, no entanto, não se concretizou, com a indicação final recaindo sobre André Mendonça. Posteriormente, Willer Tomaz foi cogitado para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destinada à indicação da Câmara dos Deputados, mas desistiu da disputa diante da repercussão gerada em torno de seu nome.

Investigação sobre fraudes no INSS e a conexão com o senador

A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, foca em um esquema criminoso que teria desviado milhões de reais dos cofres públicos por meio de fraudes em benefícios previdenciários do INSS. A investigação aponta para a atuação de uma organização criminosa que utilizava documentos falsos e informações manipuladas para obter aposentadorias e pensões indevidas. A PF suspeita que parte dos recursos desviados tenha sido utilizada para fins pessoais e para a manutenção de patrimônio de políticos e seus associados.

A conexão entre o senador Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz, segundo a PF, se dá por meio de transações financeiras e patrimoniais que indicariam um controle e gestão de bens e valores por parte de Tomaz em benefício do parlamentar. A compra da mansão de R$ 6 milhões pela empresa de Tomaz, e o recebimento de vultuosos valores pela esposa do senador de empresas ligadas ao advogado, são peças centrais dessa linha de investigação.

Detalhes da Operação Sem Desconto

A operação policial tem como objetivo desarticular uma rede criminosa que atuava há anos, explorando fragilidades no sistema de concessão de benefícios do INSS. As investigações revelaram um modus operandi complexo, que envolvia a falsificação de documentos públicos, a adulteração de registros no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e a utilização de interpostas pessoas para ocultar a origem e o destino dos valores fraudados.

Os valores desviados, estimados em dezenas de milhões de reais, teriam sido distribuídos entre os membros da organização criminosa, incluindo servidores públicos, advogados e intermediários. A PF busca recuperar os valores desviados e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos no esquema, que causou prejuízos significativos ao erário público e à credibilidade do sistema previdenciário.

O que dizem as partes envolvidas?

Até o momento, apenas a defesa do advogado Willer Tomaz se pronunciou oficialmente, negando qualquer envolvimento de seu cliente com as fraudes investigadas e atribuindo a diligência policial à posse de uma aeronave utilizada pelo senador. A defesa busca desvincular Tomaz da Operação Sem Desconto, enfatizando o caráter pessoal e amistoso da relação com o parlamentar no que tange ao uso da aeronave.

O senador Weverton Rocha ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações e as investigações em curso. A expectativa é que sua assessoria ou o próprio parlamentar emitam um comunicado oficial nas próximas horas, prestando esclarecimentos sobre os fatos e a sua relação com o advogado Willer Tomaz.

Próximos passos da investigação

Com a autorização de novas buscas e apreensões, a Polícia Federal pretende aprofundar as investigações, coletando provas documentais e testemunhais que possam comprovar a participação de todos os envolvidos no esquema de fraudes. A análise do material apreendido, incluindo documentos, computadores e dispositivos eletrônicos, será crucial para o avanço da Operação Sem Desconto. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram nas próximas semanas, com possíveis novas fases da operação e o indiciamento de mais suspeitos.

A atuação do advogado como “hub financeiro” e a compra da mansão de alto valor pela sua empresa levantam questões sobre a origem dos recursos e a possível utilização de meios ilícitos para aquisição de patrimônio. A PF seguirá rastreando as movimentações financeiras e patrimoniais para mapear a extensão do esquema e identificar todos os beneficiários das fraudes.

Resumo: A Polícia Federal investiga o advogado Willer Tomaz como o “hub financeiro” do senador Weverton Rocha, apontando que uma empresa de Tomaz comprou uma mansão de R$ 6 milhões usada pelo parlamentar. A investigação, parte da Operação Sem Desconto, apura fraudes no INSS, com indícios de que a esposa do senador recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado. Tomaz, por meio de sua defesa, nega envolvimento com as fraudes e afirma que a diligência policial se deu pela posse de uma aeronave utilizada pelo senador. A operação busca desarticular uma rede criminosa que desviou milhões de reais do INSS.

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