Azul corta 5% da capacidade por alta do combustível, diz CEO

Azul corta 5% da capacidade por alta do combustível, diz CEO

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A Azul, uma das principais companhias aéreas do Brasil, anunciou um corte de aproximadamente 5% em sua capacidade operacional. A medida, segundo o CEO John Rodgerson, é uma resposta direta à escalada dos preços do querosene de aviação (QAV), um dos insumos mais críticos para o setor. O impacto abrange todos os tipos de voos, desde rotas internacionais e domésticas até serviços regionais e operações em grandes centros urbanos.

“Até agora nós cortamos mais ou menos 5% da nossa capacidade. E, se você pega uma empresa do nosso tamanho, isso vai refletir em milhões de passageiros ao longo de um ano. A gente espera que esta guerra se resolva logo”, afirmou Rodgerson em entrevista à Folha. A redução se manifesta na diminuição de frequências em rotas populares, como a Curitiba-São Paulo, e na otimização geral da malha aérea.

A companhia aérea tem adotado duas estratégias principais para mitigar os efeitos da alta do combustível: o ajuste da malha, que envolve a reavaliação e possível redução de rotas, e a diminuição do número de voos em operações existentes. Rodgerson ressalta que nenhuma companhia aérea no mundo tem a capacidade de repassar integralmente o aumento de custos para o consumidor final, o que inevitavelmente levará a uma redução na rentabilidade do setor neste ano, em grande parte devido ao conflito geopolítico global.

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Impacto na rentabilidade e ausência de novo Chapter 11

Apesar do cenário desafiador, o CEO da Azul expressou confiança na solidez financeira da empresa. Ele afastou a possibilidade de um novo pedido de recuperação judicial (Chapter 11), um processo similar ao que a companhia já passou e da qual saiu em fevereiro. “Nós saímos do Chapter 11 em fevereiro com alavancagem muito menor do que as outras [companhias aéreas brasileiras] quando elas saíram. A gente está confortável onde nós estamos. O que eu acho que nós podemos perder é uma oportunidade de ver o mercado crescer”, declarou.

Apesar de o corte de capacidade afetar todos os segmentos, Rodgerson aponta que a aviação regional pode ser a mais prejudicada a longo prazo. “Eu acho que é possível, porque o combustível nessas regiões mais remotas é mais caro”, explicou, indicando que a logística e o custo adicional do QAV em locais de menor demanda podem agravar a situação para essas rotas.

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Perspectivas do setor aéreo: preços altos e reequilíbrio de capacidade

As projeções para o setor aéreo indicam um período de preços elevados para o combustível de aviação, mesmo com o fim de conflitos geopolíticos. Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam, destacou que a necessidade de recompor estoques de QAV, que foram consumidos para manter as operações aéreas e terrestres, manterá os preços altos durante o restante do ano. “Nosso cenário é de que os preços permanecerão altos durante o restante do ano, mesmo que, felizmente, seja alcançado um acordo de paz no Oriente Médio”, disse Alvo.

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Alvo também prevê um reequilíbrio na indústria para o próximo ano. Caso os preços do QAV não caiam significativamente até 2027, a expectativa é de um ajuste na capacidade das companhias aéreas como forma de equilibrar a equação econômica do setor. Essa adaptação pode envolver novas reduções de malha ou otimizações operacionais.

Previsão de queda na demanda doméstica e apoio governamental

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) também sinaliza um cenário de retração. Peter Cerdá, vice-presidente da Iata para as Américas, prevê uma redução na demanda do mercado doméstico brasileiro devido ao aumento das tarifas aéreas. A expectativa é que a movimentação de passageiros em voos domésticos no Brasil caia para um patamar anual abaixo de 90 milhões, contrastando com o recorde de mais de 100 milhões de viajantes registrado em 2025.

Em contrapartida, o CEO da Azul mencionou que o governo tem demonstrado uma postura mais proativa em relação ao setor. Ele citou a linha de crédito de até R$ 1 bilhão aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para capital de giro das companhias aéreas brasileiras. Essa linha de financiamento oferece condições como prazo de até seis meses para pagamento, taxa equivalente a 100% do CDI e limite de R$ 330 milhões por empresa. Os recursos serão administrados pelo Banco do Brasil, com risco de crédito integralmente assumido pela União.

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Discussões sobre o fim da escala 6×1 e jornada de trabalho

Outro ponto de discussão no setor aéreo é a proposta de fim da escala 6×1, que trata da jornada de trabalho. Rodgerson informou que a Azul está em conversas com o governo sobre o tema, com foco principal nos aeronautas (pilotos e comissários). “Acho que aeroviários [profissionais que trabalham em terra] é uma coisa que a gente já aceita que vai passar assim”, comentou, indicando maior acordo para mudanças na equipe de solo.

“Nós tivemos algumas reuniões com o governo, eles acham que não deve ter um grande impacto nos aeronautas, mas eu acho que nós temos que ver. Acho que só com o tempo nós vamos ver isso”, ponderou Rodgerson. Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, compartilhou uma visão semelhante, afirmando ter tido “conversas importantes e produtivas com o governo” que indicam que a mudança afetará principalmente as operações em solo, e não as tripulações aéreas. “Nesse sentido, estamos otimistas de que essa lei será implementada da maneira correta”, disse Cadier.

Sindicatos de aeroviários e aeronautas defendem a redução da jornada. Diego Barrionuevo, diretor de Relações Internacionais do Sindicato Nacional dos Aeronautas, afirmou em maio que a escala 5×2 não representa um entrave para as operações das empresas e que as entidades sindicais enfrentam dificuldades em negociar com as companhias aéreas.

Resumo da notícia

A Azul reduziu sua capacidade operacional em 5% devido ao aumento expressivo no preço do querosene de aviação (QAV). O CEO John Rodgerson explicou que essa medida afeta todos os tipos de voos e que a companhia não prevê dificuldades financeiras que levem a um novo pedido de recuperação judicial. O setor aéreo como um todo enfrenta a perspectiva de custos elevados com combustível e possível queda na demanda doméstica, segundo projeções da Iata. Paralelamente, discussões sobre a jornada de trabalho de aeronautas e aeroviários (fim da escala 6×1) estão em andamento com o governo, com expectativas de impactos diferenciados entre as equipes de solo e as tripulações aéreas.

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