Cooperativas do agronegócio brasileiro respondem por 10,3% das exportações totais
As cooperativas brasileiras se consolidaram como um motor importante para o agronegócio nacional, respondendo por expressivos 10,3% de todas as exportações do setor em 2025. De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro, divulgado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), essas entidades movimentaram um total de US$ 17,4 bilhões (equivalente a R$ 96 bilhões) no comércio internacional de produtos agropecuários no último ano.
Este desempenho reforça o papel estratégico do cooperativismo no escoamento da produção e na inserção do Brasil no mercado global. No entanto, a análise dos dados revela uma acentuada concentração: apenas 10 cooperativas foram responsáveis por 67% do total exportado, evidenciando a necessidade de um olhar atento para o desenvolvimento e fortalecimento das demais 140 cooperativas exportadoras atuantes no país.
Principais produtos e destinos das exportações cooperativistas
O portfólio de exportação das cooperativas brasileiras, com o apoio da ApexBrasil (agência de promoção de exportações do governo federal), é diversificado e atende a demandas globais. Entre os principais produtos enviados ao exterior, destacam-se o café, a carne de aves, a soja triturada, a carne suína e o óleo de soja. Esses itens são fundamentais na balança comercial brasileira e refletem a capacidade produtiva e a qualidade dos produtos oriundos do cooperativismo.
Os destinos dessas exportações também demonstram o alcance internacional do setor. A China lidera a lista como principal comprador, seguida por Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos. Essa diversificação geográfica mitiga riscos e abre novas oportunidades de crescimento para as cooperativas.
O panorama geral do cooperativismo brasileiro em 2025
As exportações do agronegócio são apenas uma faceta do impacto do cooperativismo na economia brasileira. Em 2025, todas as cooperativas do país, em seus diversos segmentos, movimentaram um total de R$ 848 bilhões, o que representa aproximadamente 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Este número sublinha a relevância econômica e social do modelo cooperativista.
A força do cooperativismo se traduz também em alcance social. O Brasil contabilizou 29 milhões de cooperados em 2025, distribuídos em 4.400 cooperativas e presentes em 3.425 municípios. Isso significa que 13,6% da população brasileira está filiada a alguma entidade cooperativista, demonstrando a capilaridade e a confiança no modelo.
Impacto econômico e social: ativos, sobras e empregos
O setor cooperativista possui um patrimônio robusto, com ativos que somam R$ 1,6 trilhão. No ano passado, as cooperativas foram capazes de distribuir R$ 61 bilhões em sobras aos seus cooperados, um retorno direto aos membros que impulsiona a economia local e fortalece o ciclo cooperativista. Além disso, o setor gerou 613 mil empregos formais, com um destaque positivo para a participação feminina, que representa 53% do total de empregados.
Segmentos do cooperativismo: agropecuária na liderança
A agropecuária continua sendo o carro-chefe do cooperativismo brasileiro, respondendo por R$ 487 bilhões da receita total do segmento, o que equivale a 57%. Em seguida, vêm as cooperativas de crédito, com uma movimentação de R$ 198 bilhões (23%), e as cooperativas de saúde, com R$ 130 bilhões (15%).
Outros segmentos também mostram crescimento e relevância. As cooperativas de trabalho, que incluem catadores e professores, movimentaram R$ 5,4 bilhões em 2025, reunindo 188 mil cooperados e empregando 11 mil pessoas. Este dado evidencia a versatilidade do modelo cooperativista e sua capacidade de atender a diversas necessidades sociais e econômicas.
Desafios e oportunidades para o futuro
Apesar dos números expressivos, o setor cooperativista enfrenta desafios. A concentração de exportações em poucas cooperativas sugere a necessidade de políticas de fomento e capacitação para ampliar a participação de entidades menores no mercado internacional. A diversificação de mercados e produtos também é crucial para a sustentabilidade e o crescimento a longo prazo.
O investimento em tecnologia, inovação e sustentabilidade se apresenta como um caminho promissor para o futuro das cooperativas. A crescente demanda global por produtos com rastreabilidade e práticas de produção responsáveis pode ser um diferencial competitivo para o cooperativismo brasileiro.
Tabela: Desempenho dos principais segmentos cooperativistas em 2025
| Segmento | Receita (R$ bilhões) | Participação na Receita Total (%) |
|---|---|---|
| Agropecuária | 487 | 57% |
| Crédito | 198 | 23% |
| Saúde | 130 | 15% |
| Trabalho | 5,4 | 0,64% |
O que são cooperativas e como funcionam?
Cooperativas são associações autônomas de pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer suas necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade conjunta e democraticamente controlada. Diferente das empresas tradicionais, o foco principal das cooperativas não é o lucro, mas sim o benefício mútuo de seus membros.
Os princípios cooperativistas incluem adesão voluntária e livre, gestão democrática pelos membros, participação econômica dos membros, autonomia e independência, educação, formação e informação, intercooperação e interesse pela comunidade. Esses princípios garantem que a cooperativa opere em benefício de seus associados e da sociedade.
Perguntas frequentes sobre o cooperativismo no agronegócio
- Qual a importância das cooperativas para as exportações brasileiras? As cooperativas respondem por uma parcela significativa das exportações do agronegócio, agregando valor e promovendo a inserção de produtos brasileiros no mercado internacional.
- Quais são os principais produtos exportados pelas cooperativas? Café, carne de aves, soja triturada, carne suína e óleo de soja estão entre os principais produtos.
- Quais países mais compram produtos de cooperativas brasileiras? China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos são os principais destinos.
- Qual o impacto econômico total do cooperativismo no Brasil? Em 2025, o setor movimentou R$ 848 bilhões, representando 6,6% do PIB nacional.
Em suma, os dados apresentados pela OCB reforçam o papel vital das cooperativas no cenário econômico e social brasileiro, com especial destaque para o agronegócio e sua forte performance exportadora. O modelo cooperativista, pautado na colaboração e no benefício mútuo, continua a ser um pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável do país.
