Pular para o conteúdo

Economia liberal nas campanhas de direita: quem assessora e os planos

Economia liberal nas campanhas de direita: quem assessora e os planos

Com as convenções partidárias se aproximando, as campanhas presidenciais da direita intensificam a busca por conselheiros na área econômica. O objetivo é traçar planos de governo que se oponham à atual política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse cenário, economistas com viés liberal, muitos com passagens por governos anteriores, circulam entre diferentes candidaturas, oferecendo expertise para a construção de propostas.

A ausência de um nome único na direita tem levado muitos desses economistas a atuarem como colaboradores informais, transitando entre as equipes de mais de um presidenciável ou contribuindo anonimamente. As discussões sobre os planos econômicos ganharam força nos últimos dias, refletindo a urgência em apresentar alternativas consistentes à gestão petista.

Economistas liberais e a disputa eleitoral

O grupo de conselheiros abrange desde ex-integrantes do Ministério da Economia de Paulo Guedes, apelidados de “ex-Guedes”, até figuras com experiência em outros governos. Um exemplo é Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, que agora integra a equipe de Romeu Zema (Novo). A principal crítica comum entre as campanhas de direita é a política fiscal do governo Lula 3, vista como expansionista em despesas, com aumento da dívida pública e elevação de impostos. Em contrapartida, defendem uma maior participação do setor privado na economia e buscam dados para refutar os números econômicos apresentados pelo atual governo.

Daniella Marques e a estratégia econômica de Flávio Bolsonaro

Enquanto a campanha de Lula lida com as regras eleitorais, a equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário nas pesquisas, tem se organizado sob a liderança da empresária Daniella Marques. Ex-braço direito de Guedes no Ministério da Economia e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Marques é apontada como a nova “Posto Ipiranga” de Flávio. Sua influência na campanha, coordenada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), cresceu, especialmente após o racha entre Marinho e Michele Bolsonaro. Marques, que se licenciou de sua empresa para se dedicar integralmente à campanha há 25 dias, tem repetido a estratégia de Guedes, apresentando Flávio a nomes-chave do mercado financeiro e formuladores de opinião, além de comandar reuniões para definir a estratégia econômica.

“Desde o início do ano, sob a liderança de Marinho, estamos compilando diversas pesquisas, estudos e entrevistas com especialistas, para o Flávio determinar quais as prioridades e caminhos para chegarmos ao formato final do plano de governo”, afirma Marques. O objetivo é apresentar um projeto com três pilares: mobilidade social; reformas macro; e microrreformas de setores estratégicos, visando “resolver o problema das pessoas” e o “rombo” deixado pelo PT.

A equipe de Marinho contratou um estudo da GO Associados, de Gesner Oliveira, e realizou entrevistas com especialistas. O ex-deputado federal Eduardo Cury (PL) foi convidado para desenvolver o plano de governo, com a participação de Solange Vieira, ex-chefe da Susep.

Outros nomes liberais nas campanhas

Daniella Marques também tem apresentado Flávio Bolsonaro a economistas mulheres, como Cristiane Schmidt, CEO da MSGÁS. Schmidt tem discutido propostas com a equipe de Romeu Zema, liderada por Carlos da Costa, ex-secretário de Guedes. Marcos Troyjo, ex-presidente do banco dos Brics e ex-secretário especial de Assuntos Internacionais, também mantém conversas com as campanhas de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema, buscando contribuir com ideias para o país.

O ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida é apontado como colaborador do programa de Flávio Bolsonaro, embora negue ser um colaborador direto. Ele declara apoio a Flávio, citando proximidade devido ao trabalho com o pai do senador.

Planos econômicos de outros candidatos

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, informou que a construção do plano econômico de Ronaldo Caiado (PSD) ainda será iniciada. Ele ressaltou que não há um “Posto Ipiranga” definido, mas que Caiado está ouvindo diversas contribuições. Roberto Brant, ex-deputado e ministro no governo FHC, lidera o plano econômico de Caiado, com o objetivo de marcar diferenças claras com o governo do PT, enfatizando o papel do setor privado no crescimento econômico.

Romeu Zema (Novo) conta com Carlos da Costa para chefiar seu programa econômico, com foco em um “choque fiscal” nos gastos do governo, incluindo congelamento de contratações e privatização de estatais como Petrobras e Banco do Brasil. Luiz Fernando Figueiredo também integra a equipe de Zema, buscando contribuir com as questões econômicas.

Na campanha de Renan Santos (Missão), o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) é o principal nome na área econômica. O foco é o eixo fiscal, com propostas como a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário-mínimo. Kataguiri vê potencial no “fator Milei” para a campanha, acreditando que a opinião pública é mais simpática a essa linha do que contrária.

Dario Durigan defende a política econômica de Lula

Em contrapartida, o governo Lula escalou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para defender suas propostas para um eventual quarto mandato. Durigan, que pode se manifestar fora do horário de expediente eleitoral, afirmou que o governo recompôs a base fiscal com progressividade tributária e que o plano de governo dialogará com o sucesso do atual mandato. Ele mantém diálogo frequente com o presidente do PT, Edinho Silva, e outros quadros do partido, além de lideranças empresariais e financeiras.

A equipe econômica de Lula também conta com o ex-ministro Fernando Haddad, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e os ministros Bruno Moretti (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão). O ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, coordena os trabalhos.

Palavras-chave secundárias: planos de governo, política econômica, eleições 2026, candidatos da direita

Resumo da análise

O cenário eleitoral demonstra uma polarização no debate econômico. Enquanto as candidaturas da direita buscam consolidar propostas liberais com forte crítica à gestão atual, o governo Lula se posiciona para defender suas realizações e projetar o futuro. A participação ativa de economistas renomados em ambas as frentes indica a importância estratégica da economia na definição do próximo governo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *