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EUA propuseram reduzir tarifas ao Canadá, diz oficial de Trump

EUA haviam proposto reduzir taxas sobre produtos do Canadá em negociações fracassadas

Os Estados Unidos apresentaram uma oferta substancial para reduzir tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, além de eliminar uma taxa sobre madeira serrada canadense, antes que as negociações comerciais entre os dois países sofressem um colapso repentino. A revelação foi feita por Jamieson Greer, um representante comercial dos EUA, em entrevista ao jornal The New York Times. Segundo Greer, as propostas americanas teriam concedido ao Canadá o tratamento mais favorável entre todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos, um ponto de discórdia que emerge após a semana de conversas intensas, que pareciam caminhar para um acordo.

As negociações, que se deterioraram abruptamente na noite de sexta-feira (21), culminaram em um impasse após uma semana de discussões onde a confiança em um desfecho positivo era palpável. A tensão escalou em julho, quando o presidente Donald Trump ameaçou impor uma tarifa de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses, buscando pressionar Ottawa a fazer concessões e a reverter práticas comerciais consideradas injustas pelos EUA. Essa tarifa, inicialmente prevista para entrar em vigor na quarta-feira (19), foi adiada por Trump para o sábado, após um aparente acordo “sujeito à finalização dos documentos”. Contudo, o consenso desfez-se nos dias seguintes, com as divergências se acentuando em questões cruciais para ambas as partes.

A proposta americana detalhada por Greer incluía:

  • Eliminação da tarifa de 10% sobre madeira de coníferas, imposta anteriormente sob a Seção 232.
  • Redução da tarifa de 25% sobre automóveis, com a possibilidade de cair para até 7% para veículos contendo componentes americanos.
  • Redução das tarifas sobre aço, de 50% para 25%, sob um sistema de cota tarifária.
  • Redução das tarifas sobre alumínio, de 50% para 25%, sem restrição de cota.
  • Redução de 10 a 25 pontos percentuais nas tarifas de produtos derivados de aço e alumínio, com um mínimo de 15%.
  • Suspensão das tarifas de 50% sobre laticínios, vinhos, tacos de hóquei e outros produtos canadenses, que entrariam em vigor no sábado (Seção 338).

O que o Canadá alega ter sido deixado na mesa

A resposta do governo canadense à descrição de Greer não foi imediata. No entanto, em um pronunciamento televisionado no sábado, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, criticou veementemente a proposta americana, classificando-a como um “mau acordo”. Carney declarou que o Canadá não poderia aceitar os termos oferecidos nem ceder às exigências americanas. Ele explicou que o Canadá abandonou as negociações não apenas pela insuficiência da oferta, mas também porque as autoridades americanas demandavam concessões inaceitáveis.

Segundo Carney, o Canadá havia concordado em atender a diversas exigências, incluindo a remoção de tarifas retaliatórias sobre aço, alumínio e automóveis americanos, e a retomada da venda de bebidas alcoólicas americanas pelas províncias. Contudo, os EUA teriam se recusado a isentar caminhões pesados de tarifas e exigido concessões que afetariam a cultura canadense, a proteção da língua francesa e a imposição de tarifas contra parceiros não americanos sem benefícios equivalentes.

Nas etapas finais, o Canadá buscava tratamento tarifário mais favorável para picapes e caminhões semirreboque, além de mais exceções para automóveis com componentes de ambos os países. “Em resumo, eles pediram demais e ofereceram de menos”, concluiu Carney.

Greer, por sua vez, contestou essa avaliação, afirmando que as mudanças propostas pelos EUA “preservariam o acesso privilegiado que o Canadá já possui e ainda o melhorariam”.

O contexto das negociações comerciais EUA-Canadá

A relação comercial entre Estados Unidos e Canadá tem sido marcada por tensões recentes, especialmente sob a administração Trump. A renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que resultou no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), já foi um processo complexo. As tarifas impostas por Trump sobre aço e alumínio canadense, e a ameaça de novas tarifas sobre o setor automotivo, criaram um clima de incerteza.

A Seção 232 da Lei de Comércio de 1962 permite ao presidente impor tarifas sobre importações consideradas uma ameaça à segurança nacional. Trump utilizou essa seção para justificar tarifas sobre metais de diversos países, incluindo o Canadá. A Seção 338, mencionada por Greer, refere-se a tarifas impostas em retaliação a certas práticas comerciais.

O impasse nas negociações mais recentes levanta preocupações sobre o futuro do intercâmbio comercial entre as duas nações, que possuem uma das maiores relações comerciais bilaterais do mundo. A indústria canadense, especialmente os setores de aço, alumínio e automotivo, depende significativamente do acesso ao mercado americano. A persistência de tarifas e a falta de um acordo claro podem ter impactos econômicos significativos.

Impactos econômicos e próximos passos

A falha em alcançar um acordo pode levar à imposição de tarifas mais amplas, afetando cadeias de suprimentos e o custo de bens para consumidores em ambos os países. O Canadá, como país exportador, é particularmente vulnerável a barreiras comerciais. A indústria automobilística, por exemplo, opera com cadeias de produção integradas entre os dois países, e tarifas podem encarecer veículos e reduzir a competitividade.

Analistas econômicos sugerem que a intransigência de ambos os lados em pontos cruciais pode ter sido o fator determinante para o fracasso. Enquanto os EUA buscam um superávit comercial e a reindustrialização interna, o Canadá se esforça para proteger seus setores estratégicos e manter seu acesso ao principal mercado consumidor. A resolução dessas divergências exigirá negociações diplomáticas e concessões mútuas.

O desenrolar dessa disputa comercial será acompanhado de perto por investidores e pela indústria global, pois o resultado pode influenciar futuras negociações comerciais e a política protecionista em escala mundial. A expectativa é que ambos os governos busquem reabrir canais de diálogo para evitar uma escalada de medidas protecionistas que prejudiquem suas economias.

Em resumo: A proposta americana de redução de tarifas ao Canadá, detalhada por um oficial de Trump, foi revelada após o colapso das negociações. Enquanto os EUA afirmam ter oferecido termos favoráveis, o Canadá descreve a proposta como inaceitável e exigente. A disputa ressalta as complexidades e os desafios persistentes nas relações comerciais bilaterais, com potenciais impactos econômicos significativos para ambos os países.

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