Itamaraty busca fertilizantes globais em emergência

Itamaraty faz varredura emergencial atrás de fertilizantes para o Brasil

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A crise no setor de fertilizantes levou o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Itamaraty, a iniciar uma busca global por fornecedores emergenciais. A iniciativa partiu de entidades representativas do setor, como a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e o Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), preocupadas com o risco de desabastecimento para a próxima safra.

A urgência se concentra na aquisição de fertilizantes fosfatados e seus insumos básicos, como enxofre e ácido sulfúrico. A necessidade de encontrar soluções é premente, pois o plantio da safra 2026/2027 começa em agosto, período crítico para a aplicação desses insumos. Sem eles, a produtividade de culturas essenciais como soja, milho, algodão, café e cana-de-açúcar pode sofrer quedas drásticas.

Em resposta à demanda, o Itamaraty enviou, no dia 12, um comunicado às representações diplomáticas brasileiras em dezenas de países. O objetivo é alertar sobre o risco de desabastecimento e buscar apoio diplomático para sensibilizar governos estrangeiros a autorizar exportações emergenciais. A agilidade na resposta é notável, com o pedido de informações das embaixadas e consulados agendado para esta sexta-feira (19).

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Brasil: o gigante agro e a dependência de importações de fertilizantes

O Brasil, líder mundial na produção de diversos alimentos, também se destaca como o maior importador de fertilizantes globalmente. Mais de dois terços do consumo nacional de fosfato dependem de suprimentos externos. Estima-se que, das 9,75 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados a serem consumidas neste ano, 6,45 milhões precisarão ser importadas.

A escassez de enxofre e seus impactos diretos na produção nacional

A maior preocupação atual reside na disponibilidade de enxofre. A Anda e o Sinprifert alertaram o governo sobre a necessidade emergencial de obter 250 mil toneladas adicionais deste produto por mês nos próximos meses. Essa quantidade é crucial para evitar a paralisação da produção nacional de fertilizantes.

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O enxofre é um componente fundamental na fabricação de ácido sulfúrico, insumo indispensável para a produção de fertilizantes fosfatados. Em 2025, o Brasil importou 2,3 milhões de toneladas de enxofre, demonstrando uma dependência quase integral do mercado externo. A escassez já tem provocado a redução da produção nacional de fertilizantes, com a suspensão de operações em unidades industriais dedicadas ao processamento de fosfatos.

Países emergentes como potenciais fornecedores de fertilizantes

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Diversos países foram apontados como potenciais fornecedores para suprir a demanda brasileira. Entre eles estão Estados Unidos, Canadá, Cazaquistão e Turcomenistão. A lista também inclui Alemanha, Colômbia, Espanha, França, Japão, Polônia, Turquia e Venezuela, indicando uma busca por soluções em múltiplas frentes geográficas.

A disparada nos preços: um reflexo da crise global

A atual conjuntura é agravada pela disparada histórica nos preços do enxofre. Dados reunidos pelo Itamaraty com o setor privado revelam um aumento de 823% na matéria-prima entre janeiro de 2024 e abril de 2026. O ácido sulfúrico, que tem o enxofre como base, acompanhou essa tendência com um aumento de 305% no mesmo período.

Ácido sulfúrico e fertilizantes fosfatados: a segunda e terceira prioridades

Além do enxofre, a segunda prioridade é a aquisição de ácido sulfúrico. O setor agrícola solicita apoio para obter um fornecimento emergencial de 60 mil toneladas mensais deste produto. Fornecedores potenciais identificados incluem Bélgica, Bulgária, Espanha, Finlândia, Chile e Peru.

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A terceira prioridade recai sobre os fertilizantes fosfatados em si. O agronegócio busca localizar fornecedores capazes de entregar 1,54 milhão de toneladas adicionais do produto pronto. Países como Alemanha, Egito, Espanha, Índia, Israel, Omã, Países Baixos e Tunísia são vistos como opções.

Fertilizantes como questão estratégica de segurança nacional

A preocupação internacional com o suprimento de fertilizantes atingiu um novo patamar. Os Estados Unidos, por exemplo, passaram a tratar o produto não apenas como commodity agrícola, mas como tema de estratégia industrial e segurança alimentar, incluindo fosfato e potássio em sua lista oficial de minerais críticos.

Fatores geopolíticos e restrições comerciais agravam o cenário

Diversos fatores geopolíticos e restrições comerciais contribuem para a dificuldade de acesso aos fertilizantes. O fechamento do estreito de Hormuz e as restrições de exportação de ureia pela China são exemplos. Cerca de 15% das importações brasileiras de fertilizantes provêm da região do Oriente Médio, afetada por conflitos. Irã, Qatar, Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos, juntos, responderam por 36% das importações brasileiras de ureia em 2025.

O papel ativo do Itamaraty na busca por soluções

Em declaração à imprensa, o Itamaraty afirmou que tem tratado o tema dos fertilizantes de forma prioritária em sua agenda diplomática. O ministro Mauro Vieira e outras autoridades do ministério têm mantido contatos com o setor privado e com governos estrangeiros para encontrar soluções.

A pasta confirmou que as áreas responsáveis por comércio e as embaixadas brasileiras estão engajadas no mapeamento de oportunidades no mercado global de fertilizantes. O Itamaraty também mantém contato frequente com entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), atuando como facilitador de contatos para atender às demandas do setor privado.

A Anda informou que não comentará o assunto. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Sinprifert foram contatados, mas não houve resposta até a publicação desta matéria.

A busca por fertilizantes é uma corrida contra o tempo para garantir a segurança alimentar e a produtividade do agronegócio brasileiro. O envolvimento do Itamaraty demonstra a gravidade da situação e a complexidade das negociações diplomáticas necessárias para assegurar o suprimento de insumos essenciais.

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