CEO da Log critica baixa penetração do e-commerce no Brasil e detalha planos de expansão
Apesar do crescimento acelerado do comércio eletrônico nos últimos anos, impulsionado pela pandemia, a penetração do e-commerce no Brasil ainda é muito pequena. Essa é a visão de Sérgio Fischer, CEO da Log Commercial Properties, líder no mercado brasileiro de galpões e condomínios logísticos. Em entrevista, Fischer detalhou os planos ambiciosos da empresa para os próximos anos, focando na expansão de sua malha logística e na melhoria da infraestrutura para atender a uma demanda crescente, mas ainda limitada pela capacidade do país.
Fischer revelou que a Log possui planos de abrir novas unidades em diferentes estados brasileiros e concluir uma estratégia de investimento de R$ 4 bilhões no ciclo 2025-2028. A empresa, fundada em 2008 como braço do Grupo MRV e que se tornou independente em 2018, descarta a expansão internacional e a emissão de novos papéis na B3 neste momento. O foco é consolidar a liderança no mercado nacional.
O aquecido mercado de galpões logísticos
O setor de logística vive um momento excepcional, com um índice de vacância de apenas 1% para a Log. Segundo Fischer, os galpões já são alugados mesmo durante a fase de construção, o que demonstra a forte demanda por espaços de qualidade. Esse cenário favorável é um reflexo direto da transformação digital e da crescente digitalização do consumo.
Por que o e-commerce ainda não decolou totalmente no Brasil? A resposta, segundo o CEO, reside na infraestrutura deficiente. “Existe o consumo, existe uma população continental, mas falta infraestrutura”, afirma Fischer. A pandemia acelerou a migração para o e-commerce, mas a falta de estrutura logística adequada impede que o setor atinja seu potencial máximo. A Log planeja expandir sua área de galpões em 2 milhões de m² entre 2025 e 2028, com um investimento significativo de 40% direcionado para o Nordeste.
A empresa já possui projetos de desenvolvimento em todas as capitais nordestinas, atendendo à demanda reprimida por ativos de qualidade e à necessidade de estar próximo dos centros de consumo. “O cliente demanda eficiência para a operação logística”, ressalta Fischer.
Dependência de grandes players e estratégia de reciclagem de ativos
Com gigantes do e-commerce como Amazon, Shopee e Mercado Livre entre seus maiores inquilinos, a Log gerencia uma exposição considerável a este setor, que representa mais de 50% de sua base de clientes. A estratégia da empresa para manter o crescimento é a “reciclagem de ativos”, um modelo que tem se mostrado eficaz.
Nos últimos quatro anos, a Log vendeu mais de R$ 5 bilhões em condomínios logísticos. Frequentemente, a empresa vende ativos para fundos imobiliários, mantendo a gestão desses empreendimentos. Em 2024, a Log já anunciou a venda de mais de R$ 1 bilhão em ativos para terceiros, assumindo a gestão. Esse modelo de “reciclar para crescer” é considerado sustentável, especialmente em um cenário de juros elevados, onde outras formas de financiamento, como a emissão de novas ações, tornam-se menos atrativas.
A política de manter um balanço sem alavancagem, combinada com a venda de ativos, permite à Log financiar seus ambiciosos planos de expansão, que totalizam R$ 4 bilhões em quatro anos.
Desafios e oportunidades no Nordeste
A construção de galpões Classe A em capitais nordestinas apresenta seus próprios desafios, com a mão de obra sendo um gargalo pontual. No entanto, a abundância de terrenos e a baixa concorrência na região criam um ambiente propício para novos empreendimentos. A facilidade na aprovação de projetos, que trazem receitas de impostos e empregos para áreas periféricas, é um fator atrativo.
Mesmo com a entrada de outros players no mercado nordestino, a Log se mantém confiante em sua posição de liderança. Fischer destaca que o alto custo de capital dificulta novos projetos para concorrentes, enquanto a Log, como única companhia nacional totalmente verticalizada, possui a maior carteira de clientes logísticos do Brasil. “Você vê um ou outro investimento nessas praças, mas é pontual”, observa.
Impacto social e econômico nas cidades
Um dos aspectos que mais orgulham o CEO da Log é o impacto transformador que a empresa gera nas cidades onde atua. Ao se instalar em bairros periféricos, próximos a rodovias, a Log não apenas cria empregos diretos e indiretos, mas também investe em desenvolvimento social. A empresa mantém escolas profissionalizantes para treinar funcionários de seus clientes, como estoquistas que aprendem a operar empilhadeiras. Essa iniciativa gera um ciclo virtuoso, onde o cliente garante mão de obra qualificada e o colaborador ganha novas perspectivas de carreira, fortalecendo a economia local e a permanência dos negócios na região.
O futuro da Log: Foco no Brasil e na reforma tributária
A próxima fronteira da Log é otimizar sua diversificação geográfica, aumentando os projetos em cada região do Brasil. A empresa não tem interesse em internacionalizar suas operações, pois acredita que há um vasto potencial de crescimento no mercado nacional. A reforma tributária é vista como um catalisador para o setor logístico, pois tenderá a aproximar os galpões dos centros de consumo, corrigindo distorções atuais e promovendo uma maior nacionalização do setor.
“A reforma tributária vai levar o galpão para perto da população. Algumas praças estão desproporcionais. As distorções vão sumir com a reforma”, projeta Fischer. Essa mudança regulatória promete impulsionar ainda mais a demanda por infraestrutura logística moderna e eficiente.
Raio-X de Sérgio Fischer
- Idade: 48 anos
- Local de Nascimento: Belo Horizonte-MG
- Formação: Engenharia Civil pela UFMG, com pós-graduação em Finanças pela Fundação Dom Cabral.
- Carreira: Atuou na MRV (1997-2004) e foi vice-presidente da MIC Corporation (EUA), responsável por projetos comerciais, industriais e residenciais. É CEO da Log Commercial Properties desde 2008.
Em resumo, a Log Commercial Properties, sob a liderança de Sérgio Fischer, está posicionada para capitalizar o crescimento do e-commerce no Brasil, enfrentando os desafios de infraestrutura com investimentos estratégicos e um modelo de negócios resiliente. A empresa demonstra um compromisso não apenas com o retorno financeiro, mas também com o desenvolvimento econômico e social das regiões onde opera.
