Lucas Kallas renuncia à presidência do conselho do Grupo Cedro
O empresário Lucas Kallas anunciou nesta quinta-feira (16) sua saída da presidência do conselho de administração da Cedro Participações, holding fundada por ele. A decisão ocorre semanas após Kallas ter sido indiciado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura um esquema de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, região metropolitana de Belo Horizonte. O cargo de presidente do conselho será ocupado por José Carlos Martins, membro do colegiado desde a fundação da companhia em 2018 e com experiência em diretorias de grandes empresas como Vale e CSN.
A saída de Kallas do comando da Cedro, um grupo com atuação diversificada em mineração, agronegócio, logística, imobiliário e saúde, levanta questionamentos sobre a gestão e o futuro da empresa diante das acusações que recaem sobre seu fundador. A Cedro Mineração é o principal negócio do grupo.
O indiciamento pela Polícia Federal
No final de junho, Lucas Kallas foi um dos indiciados pela PF sob suspeita de integrar um esquema criminoso voltado à extração ilegal de minério de ferro. Segundo as investigações, o empresário teria participado da gestão de uma mina em um esquema que envolvia servidores públicos suspeitos de corrupção. A Polícia Federal aponta que a operação visava fraudar a fiscalização e a arrecadação de royalties.
Em nota divulgada à época do indiciamento, a defesa de Kallas manifestou confiança na inocência do empresário, afirmando que ele não tem relação com a empresa investigada desde 2017 e que, anteriormente a esse período, havia atuado apenas como investidor. A defesa reforça que Kallas colaborou com as investigações.
Trajetória de Lucas Kallas e o Grupo Cedro
Lucas Kallas ganhou notoriedade no cenário empresarial nos últimos anos. Sua ascensão foi marcada por elogios públicos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025. Além de sua atuação no Grupo Cedro, Kallas também teve ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, em negócios na área da saúde. O Grupo Cedro e uma gestora ligada a Vorcaro foram acionistas da Biomm, empresa de biotecnologia.
Em uma publicação no LinkedIn, Kallas compartilhou um artigo sobre sua saída do Grupo Cedro, intitulado “Não é a ausência de tempestades que nos mantém de pé, e sim a profundidade de nossas raízes”. No texto, o empresário descreve a decisão como um movimento estratégico para se dedicar à construção de novos negócios, e não um afastamento definitivo da companhia. Ele expressou confiança na capacidade da Cedro de continuar progredindo e gerando valor.
“Tenho plena convicção de que a Cedro está preparada para continuar avançando, gerando valor, desenvolvimento e oportunidades, com a mesma força e a mesma solidez que nos trouxeram até aqui”, afirmou Kallas em sua publicação.
Mudanças na governança e estratégia do Grupo Cedro
Além da mudança na presidência do conselho, o Grupo Cedro anunciou a incorporação de mais dois conselheiros independentes ao colegiado. Embora os detalhes e o cronograma exato dessas nomeações não tenham sido divulgados, a medida está alinhada à estratégia da companhia de concentrar esforços nos negócios de mineração e infraestrutura logística. Essa reorientação estratégica visa fortalecer a atuação do grupo nesses setores-chave.
Nos últimos anos, o Grupo Cedro tem investido significativamente na expansão de suas operações de mineração, com destaque para os projetos em Mariana (MG). A empresa tem buscado controlar toda a cadeia produtiva do minério de ferro, o que inclui a posse de uma ferrovia para escoamento da produção e a aquisição, em 2024, de um terminal portuário em Itaguaí (RJ). Esses investimentos refletem a ambição do grupo em se consolidar como um player relevante no setor.
Raio-X do Grupo Cedro Participações
O Grupo Cedro Participações, fundado em 2018, emprega cerca de 3.000 funcionários e registrou uma receita anual de R$ 2,5 bilhões. Seus negócios abrangem mineração, agronegócio (com foco em cafeicultura), setor imobiliário, logística e saúde. As principais operações de minério estão localizadas em Nova Lima (MG) e Mariana (MG). O grupo compete com gigantes do setor como Usiminas, Arcelor Mittal, Vale, Anglo American e CSN.
A saída de Lucas Kallas da presidência do conselho, em um momento de escrutínio judicial, adiciona um capítulo de incerteza à trajetória do Grupo Cedro. A forma como a empresa lidará com as questões legais e manterá sua estratégia de crescimento será crucial para seu futuro.
O futuro do Grupo Cedro sem Lucas Kallas na presidência
A renúncia de Lucas Kallas à presidência do conselho de administração do Grupo Cedro representa uma mudança significativa na liderança da empresa. Embora Kallas tenha afirmado que sua saída visa permitir a dedicação a novos projetos e que não significa um afastamento da companhia, o timing, próximo ao seu indiciamento pela Polícia Federal, não passou despercebido. A nomeação de José Carlos Martins, um executivo com vasta experiência no setor, para o cargo sugere uma busca por estabilidade e continuidade na gestão.
A estratégia de fortalecer os negócios de mineração e logística, aliada à incorporação de conselheiros independentes, indica um movimento em direção a uma governança corporativa mais robusta e transparente. A capacidade do grupo em navegar pelas atuais turbulências legais e manter o foco em seus objetivos de expansão será determinante para seu sucesso a longo prazo. A empresa busca agora demonstrar sua resiliência e capacidade de gerar valor, apesar dos desafios.
