Pular para o conteúdo

MBRF mitiga riscos de grãos com compras antecipadas de futuros

MBRF busca mitigar riscos nas compras de grãos diante do El Niño com contratos a termo

A MBRF, gigante do setor de produção de aves e suínos, está implementando uma estratégia proativa para mitigar os riscos associados às flutuações de preços de grãos, especialmente soja e milho, em decorrência das previsões de um El Niño forte. A companhia anunciou que está realizando compras antecipadas por meio de contratos a termo, uma medida que visa assegurar os níveis de preço atuais e proteger a margem operacional em um cenário de incertezas climáticas. Essa ação, segundo José Ignácio Scoseria Rey, diretor vice-presidente de Finanças, Relações com Investidores, Gestão e Tecnologia, não implica em um aumento significativo do capital de giro no curto prazo.

“Estamos tomando posições longas em grãos, não necessariamente com compras físicas, mas contratos a termo”, explicou Rey durante uma teleconferência para discutir os resultados trimestrais da empresa. A estratégia consiste em “assegurar o nível de preços que estamos vendo neste ano”, com o objetivo de ficar menos exposto a potenciais altas de preços decorrentes de intempéries climáticas. O El Niño, historicamente, pode trazer chuvas intensas para o Sul do Brasil, o que geralmente favorece as safras. No entanto, regiões ao norte do país podem sofrer com secas e temperaturas elevadas, impactando a produção agrícola na temporada 2026/27, cujo plantio se inicia em meados de setembro. O Brasil, por outro lado, caminha para fechar a safra 2025/26 com números recordes na produção de milho.

Estratégias de Mitigação e Impacto no Capital de Giro

A companhia reforça que as transações realizadas são predominantemente contratos a termo, o que significa que não há a necessidade imediata de desembolso de capital de giro para aquisição física dos grãos. “Não necessariamente vai refletir em consumo de capital de giro maior no segundo semestre”, destacou Rey. Essa abordagem permite à MBRF gerenciar a exposição a riscos climáticos sem comprometer a liquidez de suas operações. A antecipação nas compras de grãos é crucial, uma vez que a empresa é uma grande consumidora desses insumos para a produção de ração animal.

Otimismo com a Redução de Capex e Alavancagem

Além da gestão de riscos nas compras de grãos, a MBRF apresentou projeções de redução em seus investimentos (Capex). A empresa planeja diminuir em pelo menos R$ 1 bilhão o Capex de manutenção em 2027 em comparação com 2026, visando uma faixa entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. Essa decisão surge após um ciclo de investimentos mais robusto nos anos anteriores. Miguel Gularte, CEO da companhia, atribuiu essa possibilidade de redução a investimentos estratégicos realizados nos últimos quatro anos, que agora proporcionam maior conforto financeiro e permitem o crescimento contínuo. “Temos uma situação muito favorável que permite uma previsão de menor capex para 2027, porque os investimentos que fizemos nos últimos quatro anos nos permitem esse conforto… e permitem que a companhia siga crescendo.”

A redução do Capex, combinada com outras iniciativas, tem como objetivo principal a diminuição da alavancagem financeira da companhia. No segundo trimestre, a relação dívida líquida/Ebitda ajustado subiu para 3,41 vezes, ante 2,74 vezes no mesmo período do ano anterior. A maior parte dos investimentos previstos, até R$ 3 bilhões, será direcionada ao segmento da BRF (aves, suínos e alimentos processados), com o restante alocado em operações de bovinos nos EUA e América do Sul.

Rey complementou que o Capex no segundo semestre de 2026 deve se aproximar dos R$ 2,5 bilhões registrados na primeira metade do ano, totalizando cerca de R$ 5 bilhões para o ano. “Seria 5 bilhões anualizado. Já é menor do que os R$ 6,2 bilhões nos últimos 12 meses. E estamos tomando todas as ações para chegar ao patamar mais baixo, para reduzir outro bilhão em 2027”, disse.

Fatores que Contribuem para a Redução da Alavancagem

A redução dos investimentos é uma das alavancas para diminuir o endividamento. Outros fatores mencionados incluem a melhora das condições de mercado e a oferta de gado para a operação nos Estados Unidos, que tem enfrentado desafios devido à baixa oferta de animais, elevando os custos de matéria-prima. Ganho de eficiência, sinergias da fusão BRF-Marfrig (formando a MBRF), e a recuperação esperada para o segundo semestre também são vistos como cruciais. A companhia precisou consumir capital de giro no segundo trimestre para garantir estoques no Oriente Médio, diante de desafios logísticos ampliados pela guerra na região. “Com isso, vamos trazendo gradualmente a alavancagem para baixo”, afirmou o vice-presidente.

Adicionalmente, a MBRF conta com recebíveis de uma parceria com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita, para a formação da Sadia Halal. O potencial IPO (Oferta Pública Inicial) da unidade no Oriente Médio, a partir de 2027, dependendo das condições de mercado, também é visto como um catalisador positivo.

Otimismo Crescente com o IPO da Sadia Halal

Os resultados expressivos da Sadia Halal reforçam o potencial de uma futura oferta pública inicial de ações (IPO) da unidade voltada para o Oriente Médio. Miguel Gularte, CEO da MBRF, expressou otimismo com a performance da subsidiária: “A Sadia Halal performou um resultado que foi o dobro do ano anterior, o que nos deixa muito bem posicionados para o futuro IPO… com certeza vai ser um êxito para a Sadia Halal.”

A Sadia Halal mais que dobrou seu Ebitda ajustado no trimestre, alcançando US$ 95 milhões. Esse crescimento foi impulsionado por preços mais elevados, em parte reflexo dos efeitos da guerra no Oriente Médio, que também levaram a empresa a priorizar o abastecimento da região e ampliar estoques. A margem Ebitda ajustada avançou 6,9 pontos percentuais anualmente, atingindo 16,1%. O acordo prévio com a HPDC é um passo estratégico para os preparativos do IPO da plataforma de produção e distribuição da Sadia Halal no Oriente Médio, previsto para iniciar em 2027.

Resumo da Estratégia da MBRF

Em suma, a MBRF está navegando um período de incertezas climáticas e econômicas com uma estratégia multifacetada. A antecipação de compras de grãos via contratos a termo visa a estabilidade de custos de insumos essenciais. Paralelamente, a gestão financeira se concentra na redução do Capex e da alavancagem, com a expectativa de melhorias operacionais e de mercado. O desempenho robusto da Sadia Halal e o planejamento para seu IPO adicionam uma camada de otimismo e potencial de valorização para a companhia.

Palavras-chave secundárias: contratos a termo de grãos, riscos climáticos El Niño, redução de alavancagem MBRF, IPO Sadia Halal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *