Presidente da FecomercioSP critica fim da 6×1 e Bolsa Família

Novo presidente da FecomercioSP critica fim da escala 6×1 e questiona voto de beneficiários do Bolsa Família

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Ivo Dall’Acqua Júnior, recém-empossado presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), manifestou posições controversas sobre a jornada de trabalho e programas sociais em entrevista. Ele criticou o debate em torno do fim da escala 6×1, classificando-o como “populismo explícito”, e sugeriu a restrição do direito de voto para beneficiários de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. As declarações geraram repercussão e foram posteriormente retratadas pelo próprio dirigente.

Dall’Acqua Júnior assumiu a liderança da entidade em maio, sucedendo Abram Szajman após 42 anos. Ele agora representa os interesses de 1,8 milhão de empresários do setor em meio a debates cruciais para as relações de trabalho no Brasil.

Críticas à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1

Em uma entrevista detalhada, o novo presidente da FecomercioSP argumentou que mudanças na jornada de trabalho deveriam ser fruto de negociações entre empregadores e empregados, e não impostas pelo Estado, especialmente em ano eleitoral. Ele vê a proposta de fim da escala 6×1, que permite um dia de descanso após seis de trabalho, como uma medida populista que não considera as especificidades de cada setor e atividade econômica.

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“Tudo que possa trazer bem-estar é legítimo. O problema é que essas mudanças precisam ser construídas por negociação”, afirmou Dall’Acqua Júnior. Ele destacou que, em atividades como a saúde, escalas como a 12×36 já são consolidadas e que uma imposição de dois dias de descanso sem diálogo poderia desestruturar modelos funcionais.

O dirigente comparou a situação com jornadas máximas em outros países, como a Alemanha, onde a jornada teto semanal é de 48 horas, mas a média trabalhada é de 34 horas e meia. Ele apontou que, no Brasil, a jornada teto é de 44 horas, com uma média de 38 horas, e que as conquistas trabalhistas, como férias e descansos semanais remunerados, já são significativas. “Você remunera mais o tempo livre do que o tempo trabalhado”, criticou, referindo-se a benefícios que considera excessivos e que aumentam o custo para as empresas.

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Dall’Acqua Júnior também questionou a representatividade de exemplos pontuais, como a venda de um café a R$ 25 em um shopping de luxo, para ilustrar a realidade de todo o país. Ele defende que as negociações devem considerar a diversidade econômica e regional do Brasil, onde o abismo entre diferentes realidades é acentuado.

Programas sociais e a questão da informalidade

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Outro ponto levantado pelo presidente da FecomercioSP foi a relação entre programas de transferência de renda e a informalidade no mercado de trabalho. Ele atribuiu o alto índice de informalidade a programas como o Bolsa Família, alegando que, ao oferecerem suporte financeiro sem um claro itinerário de saída ou preparo para o mercado de trabalho, podem desestimular a busca por empregos formais.

“A informalidade sempre foi um problema crônico no Brasil, mas críticos afirmam que ela se agravou após a reforma trabalhista de 2017, que a Fecomercio sempre apoiou. Vou continuar apoiando. A informalidade não decorre da reforma trabalhista. Ela aumenta quando você cria programas de proteção social que têm porta de entrada, mas não têm um itinerário nem porta de saída”, declarou.

Ele defende que os beneficiários de programas sociais sejam estimulados a buscar autonomia financeira. Nesse contexto, surgiu a polêmica sugestão de que restringir o direito de voto para quem recebe esses auxílios seria “uma condição interessante”, citando que tal prática ocorreria em alguns países desenvolvidos, embora sem apresentar exemplos concretos.

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Retratação e defesa da autonomia

Duas semanas após a entrevista inicial, diante da repercussão negativa de sua fala sobre o voto, Ivo Dall’Acqua Júnior emitiu uma nota de retificação. Ele reconheceu ter afirmado “de maneira equivocada” que beneficiários de programas sociais não poderiam votar em países desenvolvidos, corrigindo seu posicionamento.

“Num país democrático todos devem ter o direito ao voto. É fundamental que assim seja e permaneça”, declarou. Ele reforçou sua crença na relevância dos programas sociais como ferramenta de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade. Contudo, reiterou a defesa de mecanismos que condicionem a manutenção do benefício à comprovação de necessidade e à busca ativa por emprego formal, modelo que, segundo ele, é adotado em diferentes formatos em alguns países.

Planos para o Sesc e Senac

Além da presidência da FecomercioSP, Dall’Acqua Júnior também liderará os conselhos regionais do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e do Sesc (Serviço Social do Comércio) em São Paulo. Ambas as instituições, assim como o novo presidente, completarão 80 anos em 2026.

No Senac, a prioridade será a expansão do ensino médio técnico, impulsionada pela alta demanda. O dirigente mencionou que, no ano anterior, cerca de 10 mil jovens demonstraram interesse nessa modalidade, com três candidatos por vaga. A oferta de 17 especialidades atuais precisará ser ampliada.

Quanto ao Sesc, os planos incluem a inauguração de novas unidades, com foco em formatos mais compactos para levar cultura, esporte e lazer a cidades menores, especialmente no interior. Na capital, projetos em São Miguel Paulista, Campo Limpo e Pirituba estão em andamento, com estudos para uma unidade em Sapopemba. A nova unidade Parque Dom Pedro visa integrar-se à revitalização do centro da cidade.

Dall’Acqua Júnior ressaltou a importância da convivência proporcionada pelas unidades do Sesc, onde atividades culturais e de lazer se integram à rotina dos frequentadores. Ele mencionou a conclusão do último projeto de Lina Bo Bardi, um teatro no Sesc de São Bernardo do Campo, previsto para 2028, como um marco para a instituição.

A gestão de Ivo Dall’Acqua Júnior na FecomercioSP promete ser marcada por debates intensos sobre o futuro das relações de trabalho e o papel das políticas sociais no Brasil, buscando um equilíbrio entre as necessidades do setor produtivo e o bem-estar dos trabalhadores.

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