Putin admite falta de combustível na Rússia após ataques ucranianos
O presidente russo, Vladimir Putin, admitiu pela primeira vez de forma detalhada que a Rússia está enfrentando uma escassez de combustível. A declaração surge após a Ucrânia intensificar ataques de drones de longo alcance, que resultaram em incêndios em refinarias de petróleo e levaram várias regiões russas a implementar racionamento de gasolina. Os comentários de Putin, feitos em entrevista à televisão estatal neste domingo (28), destacam o impacto dos avanços ucranianos em tecnologia de drones na produção de combustíveis do país, em um momento de desaceleração dos avanços russos no campo de batalha.
“Esses ataques às nossas instalações de infraestrutura estão criando problemas, isso é óbvio”, declarou Putin, reconhecendo as dificuldades impostas pelas ofensivas ucranianas. Os ataques expuseram vulnerabilidades significativas na invasão russa, que entra em seu quinto ano. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, confirmou no domingo que a Ucrânia atingiu refinarias russas nas regiões de Krasnodar e Yaroslavl, localizadas bem atrás das linhas de frente inimigas.
Embora Putin tenha afirmado anteriormente que a Rússia passava por um “período difícil”, ele reiterou que as forças russas continuariam a ofensiva e sugeriu a possibilidade de novas conquistas territoriais na Ucrânia. Ele acrescentou que a Rússia enfrentava “uma certa escassez” de combustível após os ataques, mas insistiu que a situação não era “crítica” e que as autoridades estavam trabalhando para normalizar o abastecimento.
Avanços ucranianos em tecnologia de drones e inteligência americana
Desde maio, a Ucrânia tem utilizado avanços significativos em sua tecnologia de drones, em grande parte desenvolvidos internamente, para atacar refinarias russas. Os alvos incluíram instalações no coração da Rússia e se estenderam até os Montes Urais. Fontes envolvidas nas operações indicam que a inteligência americana desempenhou um papel no auxílio aos voos dos drones ucranianos, ajudando a traçar rotas que evitassem as defesas aéreas russas.
Em resposta à escassez, Putin anunciou que a Rússia, um dos maiores produtores de energia do mundo, aumentará suas importações para suprir o déficit. Paralelamente, o governo russo intensificará os esforços para melhorar a defesa aérea em torno das refinarias e acelerar os reparos necessários.
Ataques à Crimeia e a “operação de influência” ucraniana
A Ucrânia também tem direcionado uma campanha de “ataque intermediário” à Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014. Os ataques visam não apenas a infraestrutura na península do Mar Negro, mas também rotas de abastecimento terrestre cruciais próximas à linha de frente. Na semana passada, Zelenski anunciou uma “operação de influência de 40 dias” conduzida pelas unidades de ataque de longo alcance de Kiev, com o objetivo de forçar a Rússia a encerrar o conflito.
“A logística militar russa no território temporariamente ocupado da Ucrânia, e a própria presença dos ocupantes lá, estão severamente prejudicadas”, afirmou Zelenski em um pronunciamento noturno. Putin, por sua vez, prometeu aumentar o abastecimento para a Crimeia, que declarou estado de emergência local após ataques ucranianos deixarem suas maiores cidades sem energia e com grave escassez de gasolina na semana passada. O abastecimento será feito por terra e por mar.
Desafios no campo de batalha e ambições territoriais russas
Apesar dos reveses, Putin manteve um tom firme, insistindo que a ofensiva russa continuará inabalável. Ele também afirmou que as capacidades de ataque profundo de Moscou são “vastamente mais poderosas, sensíveis e destrutivas”. Em declarações lidas em um teleprompter, o presidente russo fez alegações não comprovadas sobre o campo de batalha, afirmando que suas forças estariam a 10,5 km da capital regional de Sumy, no norte. Putin também declarou que as forças russas controlavam a maior parte de Lyman e Kostyantynivka, cidades na região de Donetsk consideradas pontos-chave na defesa do Donbas.
No entanto, grupos independentes que monitoram o conflito com base em imagens disponíveis indicam que as forças russas ainda estão a mais de 20 km de Sumy. Pequenos grupos de infantaria russa teriam realizado apenas infiltrações de curta duração em Lyman. Analistas militares e autoridades ucranianas reconheceram avanços russos em Kostyantynivka, mas negaram a perda do controle da cidade.
Propostas de moratória e a “Novorossiya”
Putin sugeriu que a Ucrânia teria oferecido à Rússia uma moratória mútua em ataques de longo alcance, além de uma proposta para limitar as operações de combate a quatro regiões ucranianas na linha de frente. Contudo, ele rejeitou essas ofertas, alegando que elas “salvariam o regime de Kiev” ao permitir que a Ucrânia redistribuísse suas tropas. Segundo Putin, os ataques ucranianos visam “distrair nossa atenção e nossas forças de alcançar a principal tarefa em questão — a libertação final do Donbas e da Novorossiya”.
A menção à “Novorossiya” indica um possível aumento nas ambições territoriais de Putin. O termo, referente a um período czarista que abrange o sul da Ucrânia, inclui regiões como Kherson e Zaporizhzhia (parcialmente ocupadas pela Rússia), e até mesmo cidades como Odesa, que a Rússia nunca controlou durante a guerra. Essa reivindicação sinaliza uma expansão das metas russas para além do Donbas.
Frustração russa e negociações com os EUA
Altos funcionários russos expressaram crescentes frustrações com os esforços dos EUA para mediar o fim da guerra. Na semana passada, alegações surgiram de que a Casa Branca teria voltado a apoiar a Ucrânia após parecer apoiar a posição russa em um encontro anterior. Putin, no entanto, adotou um tom mais conciliador, admitindo que ele e o então presidente dos EUA, Donald Trump, não chegaram a um acordo em uma cúpula realizada no Alasca. A Rússia manifestou a expectativa de que o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro Jared Kushner, que lideraram esforços anteriores de paz, visitem Moscou assim que o cessar-fogo no Oriente Médio se consolidar.
Resumo: O presidente russo Vladimir Putin admitiu que a Rússia enfrenta uma escassez de combustível devido a ataques ucranianos a refinarias. Esses ataques, auxiliados por avanços em tecnologia de drones e inteligência americana, expõem vulnerabilidades russas. Putin prometeu aumentar importações e reforçar a defesa aérea, ao mesmo tempo que insiste na continuidade da ofensiva. A Ucrânia intensifica seus ataques, visando a logística russa e a Crimeia. As ambições territoriais russas parecem se expandir com a menção à “Novorossiya”. A Rússia expressa frustração com os EUA, mas Putin mantém um tom de diálogo sobre futuras negociações.
